A medida em que as investigações da Lava Jato avançam, são desmascarados os detalhes do esquema monumental que desfalcou os cofres da Petrobras.
Falência da política e da economia brasileira. As duas realidades, indissociáveis no atual contexto, remetem à necessidade de urgente “faxina” para resgatar a moral, a ética e até mesmo a confiança dos brasileiros. A medida em que as investigações da Lava Jato avançam, são desmascarados os detalhes do esquema monumental que desfalcou os cofres da Petrobras. Assim, há dois processos inversos: os brasileiros passam a acreditar mais no Judiciário e que ninguém está acima da lei e, por outro lado, ficam incrédulos diante das proporções inimagináveis da corrupção que ocorria no Governo. Assim, a confiança já quebrada desgasta-se ainda mais pelo lado dos escândalos, mas surge a esperança diante das investigações e revelações que estão sendo feitas. De qualquer modo, o desafio é retomar a credibilidade.
A semana começa tensa, marcada por momentos dramáticos para a política brasileira. O ex-presidente Lula, um dos mais populares da história, foi levado coercitivamente a prestar depoimento à Polícia Federal na última sexta-feira. Os procuradores demonstram ter motivos de sobra para suspeitar que todas as falcatruas do Petrolão não ocorriam sem que os altos mandatários do Poder soubessem de nada. Sobre Lula, recentemente, diversos fatos foram colocados sob suspeita: o sítio em Atibaia, com reformas patrocinadas por empreiteiras, o tríplex em Guarujá e a relação próxima com empreiteiras do esquema de corrupção que figuram entre as maiores doadoras do Instituto Lula e as principais clientes das palestras do ex-presidente.
Lula e a presidente Dilma também acabaram comprometidos com a divulgação da Revista IstoÉ de trechos do acordo de delação premiada firmada pelo senador sul-mato-grossense Delcídio do Amaral, que era considerado homem de confiança do Governo. Ele apontou relações de Dilma com a compra superfaturada da refinaria de Pasadena e as investidas para tentar atrapalhar as investigações da Lava Jato.
Os ânimos estão acirrados. Partidos de oposição ao Governo prometem não votar nada até que a comissão que vai analisar o impeachment contra Dilma seja instalada. Nas ruas, também há expectativa de momentos tensos. No próximo domingo está marcado protesto contra a presidente. Enquanto isso, o presidente do PT, Rui Falcão, convocou militantes para ir a campo defender o ex-presidente. Toda essa instabilidade acarreta em série de prejuízos, num momento em que o País enfrenta período de recessão.
A paralisia e desconfiança contribuem para afugentar ainda mais investidores. Por isso, soluções definitivas não podem ser proteladas por muito tempo. Ilegalidades são injustificáveis. Seria muita ingenuidade pensar que, hoje, os brasileiros ficariam convencidos de que Lula e Dilma desconheciam os desvios da Petrobras, repetindo a desculpa que ocorreu à época da denúncia do mensalão. Será preciso muito mais para refutar as evidências já apresentadas. Todo gestor tem obrigação de prestar contas. Desse resultado, depende a recuperação da confiança dos brasileiros e consequente resgate da credibilidade na política e economia.