A notícia amplamente noticiada pela grande imprensa internacional fazendo referência que o papa João Paulo II manteve uma relação diferenciada com Ana Tereza Tymienicka, norte-americana de origem polonesa, sem contudo, ter rompido o seu voto de castidade, deu ensejo a várias interpretações sobre sua conduta como sacerdote. Trata-se apenas de uma questão de interpretação. João Paulo II não cometeu nenhum ilícito ao se relacionar com a filósofa, mesmo que as centenas de cartas que trocaram indicassem uma conduta pouco comum.
Esse tipo de relacionamento não vem revestido de nenhum tipo de atrevimento que pode provocar ou comprometer o caráter do ser humano, nem mesmo de deixar evidenciado o surgimento do pecado que outra coisa não é senão uma transgressão aos ensinamentos divinos. Trata-se apenas de uma liberdade de interpretação que precisa ser respeitada, embora possamos colocar a nossa discordância sempre em termos elevados. Abre espaço para o surgimento de um debate mais proveitoso e rico a respeito do que é efetivamente o pecado. A sua existência e a forma como nele entramos e passa a fazer parte do nosso cotidiano é sempre angustiante para um conjunto expressivo da nossa população.
O pecado tem o seu nascedouro em nossos corações e resultam consubstanciados nos atos e nas ações e também nas omissões que praticamos no curso da nossa existência. Não existe outra forma de apontar sua existência nem mesmo de tergiversar sobre o seu conteúdo dogmático. Ele salta aos nossos olhos e se exterioriza quando relegamos a plano secundário o indicativo divino que consagra que fomos criados à imagem e semelhança do Criador com a finalidade precípua de experimentar a felicidade de uma forma perene.
Então, diante dessa graça generosa, simples e rica de ser executada não se consegue entender porque o ser humano faz a opção pelo seu caminho oposto. A mudança de comportamento que se distancia dessa orientação depende sempre da personalidade, mas, sobretudo, do caráter do ser humano que outra coisa não é. senão um atributo pessoal, personalíssimo, próprio e inerente à cada pessoa. Nossa transformação de homem normal para a materialização de ações anormais e que sempre tem o dinheiro e os interesses nefastos como regra de comportamento constituem a larga avenida que vai nos levar para o seu inevitável encontro.
Não existe nenhuma dificuldade em desvendar o seu mistério. O dinheiro aliado às ações nefastas, formam a aliança perfeita para o surgimento das desavenças, dos insultos, das discórdias, das agressões, das traições, da inveja, da cobiça, dos assassinatos, das roubalheiras e todos os outros tipos de males que cometemos conscientemente e que apontam inquestionavelmente para a direção do pecado. Nenhum mortal está livre dessas situações maléficas, que tem na sua própria fraqueza, o vetor maior do pecado. Ele alcança todo o ser humano.Nesse contexto temos o perdão que sempre será oferecido pelo Onipotente. Temos exemplos riquíssimos que apontam para essa direção. A própria Igreja Católica já reconheceu que não é apenas santa. Ela é também pecadora. Esse reconhecimento formal de um dogma que sobreviveu ao longo dos séculos é um forte indicativo a apontar que somos todos pecadores.
Reconhecer essas falhas e suplicar sempre pelo perdão, que será sempre acolhido, é a própria exteriorização da graça de Deus