Em tempos de crise, com o caixa no vermelho, o prefeito recusou-se a participar de encontro para falar sobre recursos que seriam aplicados na Capital.
Com ruas e avenidas de Campo Grande em estado deplorável, o mínimo que se esperava era que a prefeitura aproveitasse qualquer oportunidade para tentar recuperar as vias e garantir algum investimento, depois de um ano de completa estagnação. O governador Reinaldo Azambuja chamou o prefeito da Capital, Alcides Bernal, por duas vezes, para tratar sobre obras que podem ser executadas em parceria. Parece absurdo, mas não foi atendido. Com esta atitude, Bernal demonstra desinteresse inexplicável pela cidade.
Em tempos de crise, com o caixa no vermelho, o prefeito recusou-se a participar de encontro para falar sobre recursos que seriam aplicados na Capital. O governo fará investimentos para recapeamento da Avenida Euler de Azevedo, na saída para Rochedo, principal acesso ao campus da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), inaugurado recentemente. O trecho já foi, inclusive, licitado, mas nem ao menos a Guia de Diretrizes Urbanísticas (GDU) foi emitida pelo Município. As avenidas Bandeirantes e Cônsul Assaf Trad também estão na lista para recapeamentos que seriam executados pelo governo do Estado. E a necessidade de intervenção está evidente. Basta uma passagem rápida pelas vias para notar a quantidade de buracos.
Infelizmente, esse desleixo com a cidade é recorrente. Temos a Operação Tapa-Buraco, ineficiente, que não dura semanas; a falta de merenda nas escolas, por trapalhadas no prazo para licitação; volta às aulas também sem material escolar; e uma completa paralisia no setor de infraestrutura. As melhorias que poderiam beneficiar Campo Grande são constantemente ignoradas. Basta lembrarmos que a administração municipal deixa R$ 271 milhões “mofando” em caixa. São recursos federais que poderiam ser aplicados em obras, mas não são usados porque há falhas nos projetos, problemas nos processos licitatórios e até mesmo falta de recurso para contrapartida. Se a situação é tão caótica, recusar ajuda mostra-se mais contraditório ainda.
A prefeitura da Capital não consegue dar conta nem de pagar salários em dia, fechou durante três anos seguidos com deficit nas contas e, neste momento, não pode apenas culpar a crise econômica. Há, sim, falhas de administração, que precisam ser revistas. O diálogo com gestores municipais ocorre sempre que o governo do Estado planeja fazer algum investimento específico da cidade. Em Corumbá, por exemplo, parceria será firmada entre governo e prefeitura para ampliar a Santa Casa local.
Pelo interesse da população, obviamente, desavenças partidárias precisam ser deixadas de lado. Em Campo Grande, não se sabe o motivo da falta de interesse de Bernal ao desdenhar dos investimentos que ajudariam a cidade. O campo-grandense que enfrenta diariamente as ruas esburacadas, certamente, ficará indignado diante do descaso justamente para recapeamento de vias. Será preciso explicação muito convincente para que, até agora, uma simples reunião não possa ter ocorrido ou documentos liberados.