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Confira o editorial desta sexta-feira: "Paciência e equilíbrio"

Confira o editorial desta sexta-feira: "Paciência e equilíbrio"

Redação

11/03/2016 - 03h00
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A pretensão do abono salarial, previsto em Mato Grosso do Sul mesmo que diferenciado por categoria, deve ser vista com certo alívio pelos funcionários públicos.

No ano de 2014, quando a Operação Lava Jato foi deflagrada, a economia brasileira já dava sinais de enfraquecimento, segundo dados do próprio governo federal, com redução nas exportações. De lá para cá, o cenário, tanto econômico, quanto político, só degringolou; esperar que os governos estaduais e municipais consigam equalizar a conta que não foi fechada na esfera federal é criar demasiada expectativa sobre as gestões. Por isso, a pretensão do abono salarial,  previsto em Mato Grosso do Sul mesmo que diferenciado por categoria, deve ser vista com certo alívio pelos funcionários públicos.

Embora seja palpável, este alívio, explica-se, é pela condição da economia brasileira. Não há como se comprometer em conceder um desembolso que pode não ser realizado. O que vivenciamos agora é reflexo dos erros cometidos na política econômica adotada pelo governo petista, a qual começou a estourar em 2008, com a falência do banco americano Lehman Brothers, passando pela desaceleração nas negociações com a China e pelas ações desastrosas para se tentar evitar a derrocada. Enquanto equilibrava-se no cargo para não cair, a presidente da República, Dilma Rousseff, nomeou Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda, em janeiro de 2015. Com currículo invejável, Levy tinha a missão de tentar reverter os índices em queda no País. Não conseguiu. Em menos de um ano de permanência no cargo, além de não emplacar o modelo econômico, em que projetava meta de superavit para 2016 em 0,7% – enquanto o governo calculava 0,5% –, Levy não agradou setores governistas. O ano, que começou com projeção de economia estagnada ou com modesto avanço de 0,15%, amargou retração, a maior dos últimos 25 anos. O efeito cascata era inevitável.

Como todas as gestões no País, o governo em MS foi afetado e viu reduzir os índices de arrecadação e de repasse para os municípios. Este ano, na negociação do reajuste do Estado com os professores, também já era possível ter noção da situação. O porcentual exigido, 11,36%, previsto na Lei 11.738/2008, foi garantido pela administração depois que as contas foram minuciosamente estudadas. Porém, até que isso fosse concretizado, por diversas vezes, o secretário estadual de Administração, Carlos Alberto Assis, repetiu o mantra: “Não podemos prometer e não cumprir”. Agora, a possibilidade de abono estudada pela administração estadual, que pode ser dada de forma diferenciada, tende a ser o possível a ser concedido para os servidores. A contabilidade tem como objetivo não causar sobressaltos nas contas públicas e, consequentemente, no funcionalismo público. É só lembrar o que aconteceu no ano passado, em Campo Grande, quando os servidores viveram a agonia  
do pagamento dos salários de forma escalonada, depois que a prefeitura divulgou que não tinha condições financeiras para arcar com o repasse integral.

Por isso, é preciso paciência. O fim da crise política está próximo, com a queda iminente da presidente e a retomada do fôlego da economia na esfera nacional. Porém, até a recuperação, a população deve manter o equilíbro, entendendo que o momento ainda é delicado. Infelizmente, o cobertor, por enquanto, está curto e longe de atender a todos que precisam.
 

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