Estamos em plena quaresma. Tempo em que a Igreja convoca seus fieis a um exame honesto de suas atitudes e de seu modo de julgar as pessoas. Sabe que todos possuem suas qualidades e seus defeitos. Preocupa o fato de existirem tantos seres humanos à margem da vida.
Uns são analfabetos. Outros são desempregados. Outros passam fome. Outros estão doentes e sem recursos para se tratar. Outros são prisioneiros do álcool, ou da droga, ou da prostituição. Outros andam perdidos sem saber para onde ir, que caminho tomar ou o que fazer. Buscam razões para sua existência.
São situações nada confortáveis e nada agradáveis. E a situação se torna pior quando se deparam com a indiferença de quem tem com que socorrer e mudar essa situação. Mas prefere ficar comodamente instalado em seu egoísmo aludindo não ter condições de ajudar.
São realidades que incomodam a quem ainda possui sentimentos de amor e de compaixão. Ferem a sensibilidade de quem nasceu e cresceu em ambiente de religiosidade e de temor de Deus. Como aceitar essa situação sem fazer algo para mudar?
O Mestre dos mestres se dirigia ao povo tentando explicar o rumor de que ele estaria para ser preso. Esse rumor aumentava e tomava conta de todos os ambientes, tanto da cidade como dos arredores. Assim mesmo anunciava que o Reino de Deus estaria próximo.
Nessa sua pregação foi surpreendido pelos mestres da Lei e os fariseus que lhe trouxeram uma mulher surpreendida em adultério. Queriam simplesmente que se manifestasse e a julgasse, já que pela lei de Moisés esse tipo de mulher deveria ser apedrejada.
E o Mestre silenciou. Mas eles não aceitaram e exigiram que tomasse uma posição. O Mestre inclinou-se e começou escrever na areia. E, diante da insistência deles, levantou-se e, fitando-os nos olhos, apenas disse: “Quem dentre vocês não tiver pecado seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra”. E continuou escrevendo no chão.
Ouvindo o que o Mestre lhes propôs, foram saindo um a um, a começar pelos mais velhos. Quando todos se retiraram, ele olhou para a pecadora, que permanecera calada e humilhada, e lhe perguntou: “Ninguém a condenou?” Diante da resposta negativa dela, ele lhe disse: “Eu tambem não a condeno. Pode ir e, de agora em diante, não volte a pecar”. (Jo.8,1-11)
Com certeza a vida dessa mulher passou a ser outra. Aquilo que parecia ser o fim se tornou o principio de um novo caminho. Aquilo que martirizava sua consciência de pecadora, agora se transforma em alegria por ter encontrado alguém que realmente a ama.
Até aqui fora usada e explorada. Agora se vê acolhida e libertada. A misericórdia de Deus semeou em seu coração a semente de uma nova vida. Aquilo que era trevas se tornou luz. Aquilo que era pecado se tornou graça. Aquilo que era ódio se tornou comunhão. Aquilo que era exploração se transformou em salvação.
Agora se deparou com um homem, não para a explorar, mas para a salvar. Não mais o pecado, mas a misericórdia. Encontrou alguém com um olhar de carinho, com um abraço de ternura, uma palavra de perdão e um gesto de paz que tanto procurava.