Tudo indica que o PT age com o mesmo “modus operandi” para evitar que as chamas das denúncias e da revolta contra o Governo alastrem-se ainda mais.
A cada dia um novo escândalo que complica ainda mais o Governo Dilma Rousseff. As denúncias de corrupção passaram a fazer parte do cotidiano dos brasileiros, com o avanço das investigações da Lava Jato. Políticos apelam a todas as artimanhas para salvarem-se e não afundarem ainda mais no “mar de lama” dos desvios de recursos da Petrobras. As estratégias incluem as delações premiadas, gravações às escondidas, tentativas de comprar testemunhas e até oferecer um ministério ao ex-presidente Lula, como saída para evitar sua prisão - que já foi pedida pelo Ministério Público. Claras evidências que há muito ainda há ser “desenterrado”, como já alertava o senador Delcídio do Amaral, ainda antes de ser preso. “Enterramos nossos cadáveres em cova rasa. É um erro. Precisamos enterrá-los com dignidade”.
O “conselho” dado pelo senador sul-mato-grossense foi sumariamente ignorado pelos petistas, que agora pagam o preço. Delcídio ficou 87 dias preso, foi abandonado pelos colegas de partido e até xingado de imbecil por Lula, depois de ter sido gravado tentando comprar o silêncio e articular a fuga de Nestor Cerveró, ex-diretor de Área Internacional da Petrobras. Agora, tentativa de ajudá-lo partiu diante do temor de que o senador, “homem de confiança” do Governo, revelasse detalhes do esquema criminoso que, aos poucos, vem sendo desmascarado. Delcídio já começava, ainda na prisão, a articular sua delação e usou da mesma arma que o levou para trás das grades. Seu assessor, José Eduardo Marzagão, gravou a proposta feita pelo ministro da Educação, Aloizio Mercadante, ex-chefe da Casa Civil, que incluia dinheiro e influência junto ao Senado e ao Supremo Tribunal Federal (STF), para evitar cassação e conseguir libertação.
O enredo é o mesmo, alteram-se apenas os personagens. Com a diferença que, desta vez, o autor da tentativa de atrapalhar o trabalho da Justiça e tentar comprar silêncio não acabou preso, mesmo com a conversa também gravada. Tudo indica que o PT age com o mesmo “modus operandi” para evitar que as chamas das denúncias e da revolta contra o Governo alastrem-se ainda mais. Afinal, além da série de escândalos, há a reação dos brasileiros, fortemente demonstrada no último domingo. No País, 3,5 milhões foram às ruas contra Dilma, Lula e pedindo basta à corrupção. Em Campo Grande, foram aproximadamente 100 mil manifestantes, conforme estimativa divulgada pela Polícia Militar.
Os trechos da gravação do diálogo de Mercadante e Marzagão foram divulgados ontem pela Revista Veja. A publicação aponta que Delcídio deixa a função de “bombeiro” - agindo para evitar que as acusações chegassem a Dilma e Lula - para assumir papel de incendiário. A presidente emitiu nota mostrando-se indignada com a tentativa de envolvê-la. Mercadante, por sua vez, falou em coletiva que jamais tentou impedir qualquer delação. Novas afirmações vazias, que dificilmente convencerão grande parte dos brasileiros incrédulos com a política.
Enquanto as atenções continuam voltadas para tentar evitar que o desatre político do Governo Dilma ganhe proporções ainda maiores, a catástrofe no campo econômica aumenta. Denúncias derrubam as pessoas de confiança da presidente, complicando as chances de tentar provar que seria possível alguém manter tanta ingenuidade. Aguardamos o próximo escândalo, com revelações de mais envolvidos no esquema de corrupção. A população já disse basta e as respostas não podem demorar tanto.