Nos dias de hoje, o que mede a qualidade e eficiência de um pesquisador? Esta é uma importante questão colocada em voga em ciência e tecnologia, uma vez que nem todo dia se apresentam descobertas maravilhosamente fascinantes como as apresentadas por Pasteur ou Einstein no começo do século XX. Obviamente, todos os pesquisadores buscam elucidar algo marcante e que mude o rumo da estória da humanidade.
Entretanto, a construção do conhecimento não pode ser feita apenas em saltos quânticos, mas sim dia a dia. Dizia um antigo mestre que o conhecimento é como colocar água dentro de um grande pote. Ele vai se enchendo e misturando com o líquido de diferentes origens e, quando tomamos água deste pote e a bebemos, não sabemos ao certo de que ponto real estamos saciando nossa sede de sabedoria. Sábias palavras, que nos levam novamente à questão inicial. Se cada adição de conhecimento é importante, então, as adições devem ser medidas em volumes corretos. Atualmente, tais volumes de adição ao conhecimento científico são medidos pelo número e pela qualidade de publicações. Assim, um ótimo cientista deve demonstrar o máximo de seu conhecimento em um grande número de publicações, e estas devem ser feitas em revistas científicas renomadas mundialmente.
Em primeira instância, não se pode publicar em qualquer lugar para ter respaldo científico. Estas revistas têm sido medidas por um fator chamado IF, do inglês impact fator. Quanto maior o fator, maior o respaldo científico e, logo, maior o prestígio científico do pesquisador. Desta forma, revistas como Nature, Science e Cell se tornaram a Meca de grande parte dos cientistas por todo o mundo. Conseguir uma publicação nestas revistas pode ser quase tão difícil como obter uma medalha, em uma analogia a nosso ano olímpico. Para publicar em revistas como estas, são necessários anos de experimentação, bem como, normalmente, vários cientistas de diferentes países envolvidos no estudo. Além disso, a descoberta deve ter algo de chamativo e que venha a ser apreciado na maior parte das áreas científicas. Entretanto, adicionalmente a estes jornais, existem milhares e milhares de outros periódicos, em todo o mundo, recebendo artigos dos mais diferentes campos científicos especializados.
Além disso, para publicar em algumas revistas é necessário, além de se fazer boa ciência, desembolsar alguns milhares de dólares, dado que algumas cobram por publicação. Vale ressaltar que, antes de serem publicados, os artigos, na maioria das vezes, passam por uma avaliação criteriosa de revisores internacionais anônimos, que criticam e contribuem para a melhoria do artigo, podendo aceitá-lo, rejeitá-lo ou solicitar inúmeras correções.
Desta forma, levam-se, às vezes, meses ou anos até que um artigo seja publicado, em uma disputa ferrenha entre autores e revisores. Além disso, e não menos importante, o inglês é a língua oficial científica no mundo. Assim,os melhores jornais publicam apenas em inglês. Mas não seriam somente as publicações que medem um bom pesquisador. Na verdade, os artigos, em minha opinião, são apenas parte do processo. O bom pesquisador deve também formar profissionais de boa qualidade, que possam desempenhar ciência de excelência em nosso país. Ademais, os melhores cientistas também devem divulgar ciência de forma fácil aos leigos, disseminando a semente da paixão por ciência, por todo o planeta. Em resumo, ser pesquisador não é coisa fácil. Porém, todos aqueles que encontram nesta carreira o seu estilo de vida sabem disso desde o início. A ciência está vigilante ao nosso lado, atuando sabiamente para solucionar os problemas de nossa sociedade.