O governo do PT culpa as grandes redes nacionais pelo caos no Planalto, mas isso é ignorar os próprios erros e desqualificar a opinião de milhões de brasileiros que ocuparam as ruas.
É atitude desesperada culpar o meio em que a denúncia se propaga e não atentar para a gravidade e consequências do fato denunciado. Nas últimas semanas, defensores do governo petista alardearam que a responsabilidade do caos instalado no País é da mídia, que propaga aos quatro ventos o que embasou as denúncias contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidente Dilma Rousseff. Nada mais é que a publicação da extensa delação do ex-aliado, o senador Delcídio do Amaral (MS), e, quem diria, as próprias palavras de Lula, interceptadas em grampos telefônicos. O argumento é fraco e perigoso para a liberdade de imprensa.
A estratégia de estrangular os meios de comunicação faz parte da história de vários países, entre eles, os latino-americanos, e é usada de forma recorrente por governos autoritários e bolivaristas. Temos como exemplo Argentina, Bolívia e Venezuela. No caso dos dois últimos, ainda comandados por políticos de esquerda, que tomaram o poder com discurso reformista. Porém, uma vez instalados no topo, usaram de todas as artimanhas para a manutenção no poder, com medidas questionáveis e, por vezes, opressoras. A herança de Hugo Chávez perpetua-se na gestão de Nicolás Maduro. O canal de notícias local, o Globovisión, foi comprado por empresários ligados ao governo e, desde 2003, a programação deixou de lado os atos da oposição. O obsessivo controle também é adotada por Evo Morales, que conseguiu dobrar o jornal “La Razón”, crítico voraz do governo bolivarianista e que foi comprado por aliados.
Na Argentina, agora governado por um liberal, o embate da então presidente Cristina Kirchner e os jornais foi notório e explícito.
No Brasil, assim como nos países citados, a imprensa está cumprindo seu papel. As denúncias feitas pela Operação Lava Jato, as condenações dos envolvidos nos esquemas de corrupção e a devolução de bilhões em recursos públicos desviados não são invenção midiática. São fatos apurados em investigações da Polícia Federal, corroborados pela condenação de extensa lista de 93 pessoas e penas que chegam a 990 anos.
O governo do PT culpa as grandes redes nacionais pelo caos no Planalto, mas isso é ignorar os próprios erros e desqualificar a opinião de milhões de brasileiros que ocuparam as ruas, indignados com a corrupção que está nas entranhas da administração de Dilma Rousseff.
O desprezo às instituições fica claro cada vez que a população é informada dos grampos telefônicos do ex-presidente Lula. Em uma delas, ele classifica como “acovardados” o Supremo Tribunal Federal, o Superior Tribunal de Justiça e o Planalto. Em resposta, o presidente do STF, Ricardo Lewandowski, defendeu o Judiciário, dizendo que o histórico é de coragem, protagonismo e respeitando a Constituição nos momentos de crise. É exatamente esse o cenário em que vivemos. O que está sendo mostrado nos sites, jornais e na TV é a reprodução do cenário caótico em que está a política no País. Os que duvidam podem acessar, livremente, todo o teor da delação do ex-companheiro e as escutas comprometedoras. As redes sociais estão livres e independentes e os internautas reproduzem o mesmo teor bombástico. Se isso é interesse de poucos, esses poucos são só uma nação inteira.