A declaração do ministro, com ameaças à Polícia Federal acabou tornando-se mais um “tiro no pé” por parte do Governo do PT, já desacreditado
Gravações explosivas, delações premiadas e escutas telefônicas foram alguns dos instrumentos usados por investigadores na Operação Lava Jato, que completou dois anos na última quinta-feira.
O resultado: foi o maior esquema de corrupção já desmascarado no Brasil, contabilizando 990 anos em penas acumuladas, 93 condenações criminais, quase 500 pessoas e empresas sob investigação e a revelação de esquema de propina, com desvios de dinheiro da Petrobras, que hoje atinge fortemente o Planalto.
As mais recentes revelações passaram a implicar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente Dilma Rousseff, o que fortaleceu reações da população, que já descontente, cobra o impeachment.
Os brasileiros querem hoje ter acesso à verdade e a punição dos envolvidos. Por isso, causam preocupações as recentes “investidas” do Governo Federal em tentar atrapalhar as investigações.
Em entrevista à Folha de S. Paulo, o novo ministro da Justiça, Eugênio Aragão, deu recado à Polícia Federal que não vai tolerar vazamentos. Ele chega a afirmar que se “cheirar” vazamento por um agente, a equipe inteira será trocada, sem a necessidade de ter prova. Delegados disseram estar sentido-se intimidados e temem “caça às bruxas”.
Obviamente, todos têm direito à ampla defesa e só podem ser formalmente acusados depois que todas as evidências forem devidamente comprovadas. Mas, é total contrassenso que o ministro cobre esse preceito e se disponha a fazer justamente o oposto.
A inquietação com essa declaração deve-se justamente porque já ocorreram tentativas de atrapalhar as investigações. O senador Delcídio do Amaral, que era líder do Governo no Senado, foi preso por esse motivo.
Ele tentou comprar o silêncio e articular a fuga de Nestor Cerveró, ex-diretor de Área Internacional da Petrobras, para impedi-lo de aceitar delação premiada. Abandonado pelo PT depois de ter sido flagrado em gravação, ele também revelou tudo que sabia e disse que agiu a mando de Lula.
“Ele e a presidente Dilma é que tentam de forma sistemática obstruir os trabalhos da Justiça”, revelou o senador, em entrevista à Revista Veja desse fim de semana. Depois, Delcídio acabou usando a mesma arma que o levou à prisão, divulgando gravação da conversa do ministro da Educação, Aloizio Mercadante, com seu assessor, que teria como objetivo impedir que ele revelasse tudo que sabia.
Até mesmo a posse de Lula no Ministério da Casa Civil foi encarada como manobra para escapar das apurações. Assim, o pedido de prisão saíria das mãos do juiz Sérgio Moro, responsável por várias condenações na Lava Jato.
A nomeação incendiou ainda mais a revolta nas ruas, com manifestações que se repetem desde o último domingo. O ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, suspendeu a posse e disse ter ficado claro o desvio de finalidade e o tumulto causado ao processo pela mudança de foro.
A declaração do ministro, com ameaças à Polícia Federal acabou tornando-se mais um “tiro no pé” por parte do Governo do PT, já desacreditado e que tenta apelar a todas as artimanhas para salvar-se. Os brasileiros já deixaram evidente, nos manifestos, a defesa à Lava Jato.
Qualquer tentativa de cerceamento da investigação irá incendiar ainda mais a revolta das ruas. Diante de todas as acusações e evidências, o caminho não é tentar obstruir as apurações, mas sim tentar apresentar provas que desmintam o que foi mostrado.