Artigos e Opinião

Correio do Estado

Editorial desta segunda-feira: Salve-se quem puder

Editorial desta segunda-feira: <br>Salve-se quem puder

Redação

21/03/2016 - 03h00
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O prazo para Dilma Rousseff defender-se na Comissão do Impeachment começou a correr e, agora, é “matar ou morrer”

O teor da delação do senador Delcídio do Amaral (MS) agrava, a cada dia, a situação da presidente da República, Dilma Rousseff. O material divulgado mostra o Planalto acuado e desesperado, usando de qualquer estratégia para se safar das denúncias. Até a aliança entre Dilma e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode ser classificada como tênue – e que depende para onde os ventos benéficos podem levar. Não é à toa que o índice de rejeição tenha crescido nos últimos dias, mostrando insatisfação até entre aqueles que o PT achava que a oposição não conseguiria atingir.

Em entrevista concedida à revista Veja, Amaral diz que “Lula e Dilma tinham pleno conhecimento da corrupção na Petrobras” e que o ex-presidente “comandava o esquema”. O pagamento de propina e o desvio de verbas foram perpetuados e abasteceram a campanha de Dilma. O que já era dito por outros delatores 
ganhou força substancial com o depoimento do senador. Os relatos são consistentes e descrevem o mesmo modus operandi, o que demonstra a veracidade do que foi dito. No caso do ex-petista, ganha tons mais fortes, por se tratar de pessoa que tinha livre acesso a todos os envolvidos e, ainda, foi incumbido da difícil missão de tentar abafar o escândalo e evitar o pior. Ironicamente, foi quem acendeu o estopim mais devastador até agora.

Também foi na delação que se evidenciou o que já circulava no Congresso: Lula e Dilma não tinham a relação amigável como queriam deixar entender. Há pouco tempo, estavam em lados opostos, em que a presidente tentava colocar o “companheiro” na fogueira e, assim, redimir-se de um governo com resultados econômicos pífios, mas que combateu a corrupção “na carne”. Lula costurava suas alianças em paralelo, pouco preocupado com a presidente. Um verdadeiro salve-se quem puder. No meio, o Brasil, esfacelado, com índices de desemprego nas alturas e o PIB em queda.

Não por acaso, também, o índice de insatisfação com o governo federal está nas alturas, como demonstra a pesquisa Datafolha, em que 69% dos entrevistados avaliam a administração como ruim ou péssima, taxa comparável aos 71% de reprovação alcançado em agosto de 2015, o maior da série histórica. Do total dos 2,7 mil questionados, 68% são a favor do impeachment. Em relação a Lula, o cenário também não é favorável. A taxa de rejeição ao nome dele chegou a 57%. Antes, o pior índice era de 40%, em setembro de 1994, quando disputou a Presidência contra FHC. Até entre os eleitores de renda mais baixa – principal foco de atenção do PT nas campanhas –, o porcentual negativo é de 49%, o que demonstra o quanto os petistas vêm perdendo campo de batalha. 

A semana promete ser atribulada e de alto poder de combustão. Delcídio do Amaral diz que incluirá mais dados na delação; principalmente, sobre a compra da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA).  Mais denúncias contra a alta cúpula vão surgir. A posse de Lula no Ministério da Casa Civil continua suspensa – pelo menos até agora. E, enquanto isso, o julgamento do pedido de prisão preventiva está nas mãos do juiz federal Sérgio Moro. O prazo para Dilma Rousseff defender-se na Comissão do 

Impeachment começou a correr e, agora, é “matar ou morrer”, como relatou assessor presidencial. A corrida contra o tempo é deles e, principalmente, dos brasileiros, que cansaram de ficar na corda bamba.

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