O que ocorre neste momento, porém, é uma articulação ainda mais escancarada, num verdadeiro leilão de ministérios
A disputa por votos está lançada. A presidente Dilma Rousseff usa os cargos de primeiro e segundo escalão para cooptar aliados ao seu governo e, assim, tentar salvar seu mandato. As chances parecem cada vez mais exíguas. Na terça-feira, o diretório nacional do PMDB decide se oficializa o rompimento com o Planalto. O vice Michel Temer estaria envolvido diretamente nas articulações. O mais recente “desembarque” foi anunciado pela legenda no Rio de Janeiro, que até então era considerado o diretório mais fiel à presidente. Tudo indica que a debandada deverá abrir a fila para que outros partidos também decidam pelo afastamento. Além disso, a decisão da legenda é considerada determinante para o impeachment.
Esse também já é o posicionamento unânime do PMDB em Mato Grosso do Sul. Lideranças consideram a saída de Dilma crucial para que o País recupere a credibilidade, diante das graves crises política e econômica. Diretórios de outros estados, como São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, já anunciaram oficialmente esse posicionamento. Sinal claro de que o PT vem fracassando em suas investidas. Pesa o fato de seu principal articulador, o ex-presidente Lula, estar envolvido em série de denúncias e ter sido impedido de assumir o Ministério da Casa Civil, em manobra para tentar coibir que seu pedido de prisão fosse analisado pelo juiz Sérgio Moro, que julga os processo da Operação Lava Jato. Lula, agora, tentará procurar deputados para barrar o processo de impeachment. Já foi alertado que enfrentará resistência ainda maior no Senado.
O governo precisa de 172 votos. Hoje, 246 deputados federais já se manifestaram pela instalação do procedimento e outros 126 defendem a permanência da presidente. Assim, ocorre a “disputa” para atrair os 141 que ainda não se manifestaram oficialmente das decisões. E, nesse ponto, acompanhamos a força das articulações por cargos, em que o governo acaba “loteado” entre aqueles que assegurarem apoio. Afinal, no meio político, há muito tempo, as negociações com aliados figuram entre os critérios para formar a equipe que tomará as decisões mais importantes de gestão - que, teoricamente, não poderia excluir a exigência técnica da função. O que ocorre neste momento, porém, é uma articulação ainda mais escancarada, num verdadeiro leilão de ministérios.
Enquanto ocorre essa acirrada disputa no campo político, os brasileiros sofrem as consequências de outra batalha, a do mercado de trabalho. As duas aparecem intrinsicamente ligadas ao relacionarmos os equívocos cometidos na política econômica do governo federal e avaliarmos a falta de confiança do mercado financeiro brasileiro, sem perspectivas ainda de escapar da recessão. São 9,6 milhões de pessoas desocupadas no País. Só em Campo Grande, por exemplo, enfrentamos onze meses seguidos de fechamentos de vagas de emprego. Os brasileiros enfrentam esse duro golpe no bolso, que corrobora com a insatisfação demonstrada nas ruas, em diversos manifestos.
A presidente tenta não ser abandonada, usando as armas disponíveis para conseguir resistir, mas acaba exagerando em algumas atitudes, seja ao abrigar Lula em ministério ou no loteamento de cargos no governo. Assim, a insatisfação popular só aumenta e mais partidos aliados “pulam do barco”, que segue à deriva e distante dos rumos de que o País precisa.