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CENAS

Oswaldo Barbosa de Almeida: "De volta para o passado"

Oswaldo Barbosa de Almeida: <br>"De volta para o passado"

Redação

31/03/2016 - 14h26

Advogado e escritor ([email protected])

República de Piratininga, ano de 2040. Estou com 98 anos de idade, continuo residindo  em Campo Grande e ainda escrevo a cada duas semanas para este espaço do Correio do Estado, que ostenta em sua primeira página, no alto, à direita, o ano 86 de sua existência. Narro a seguir o que ocorreu nos últimos vinte e quatro anos com o país antes chamado República Federativa do Brasil.

Novamente eleito em 2018, voltou ao poder Luiz Inácio da Silva, sucedendo à sua criatura que, a duras penas e muitas manobras políticas, chegara ao final do mandato. Encontrou ele um país dividido e arrasado econômica e socialmente. 

Com muita dificuldade, mas dotado de grande astúcia e muita lábia, manteve-se no poder e ainda foi reeleito em 2022. Em 2025, a um ano de nova eleição, com grande apoio  popular, deu um golpe de estado, apoiado também pelos militares, e se autoproclamou Rei do Brasil, adotando o título de Dom Luiz Inácio I, que foi apelidado por seus fanáticos seguidores de “O Magnânimo”. O país passou por profundas transformações e a denominar-se Reino de Guararapes; os estados foram transformados em províncias, sem a autonomia que até então possuíam. 

Pouco antes Evo Morales, presidente da Bolívia, que fora reprovado em consulta popular em 2016, mas que, por artifícios diversos, conseguira poderes para se reeleger indefinidamente, mandou suas forças militares invadirem o estado do Acre, sob o argumento de que ele fora roubado da Bolívia em 1903.

O presidente brasileiro concordou com a retomada do território e ainda brindou a Bolívia com parte do estado do Amazonas, a título de reparação, segundo ele, por danos históricos sofridos pelos bolivianos em consequência da anexação, pelo Brasil, do antigo território.  

Nesse momento houve forte reação por parte dos estados de São Paulo, Mato  Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, que não aceitaram o golpe de estado e a entrega de parte do país à Bolívia. Proclamando-se separados do Brasil, criaram a República de Piratininga, com capital em Curitiba, no Paraná. 

O nome do novo estado federado, em homenagem a São Paulo, o mais rico entre eles, assim como da capital, foi escolhido por votação entre todos os deputados estaduais dessas unidades. Logo aderiram ao movimento separatista os estados de Goiás, Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro. 

Houve uma tentativa de reação das Forças Armadas contra a divisão do país,  mas o rei dissuadiu os descontentes, mandando deixar por isso mesmo, afirmando que até seria bom, pois o restante do país se livraria, finalmente, “dazelite” que tanto  exploraram o povo por mais de quinhentos anos. Elegendo um parlamento e um  presidente democraticamente, foi constituído um governo enxuto que, em pouco tempo, recuperou a economia da região, surgindo uma nação forte econômica e culturalmente. Ufa! Mais um recorrente “sonho canseira”, verdadeiro pesadelo. Estou chegando à conclusão de que preciso consultar urgentemente um psicólogo ou psicanalista.

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