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ARTIGO

Ruben Figueiró de Oliveira: "Nada de engodos"

Ruben é ex-senador da República

Redação

31/03/2016 - 02h00
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Após o clarear das ruas, com as entusiásticas manifestações populares do dia treze de março, as inefáveis lideranças políticas que se encastelam nas direções dos partidos tidos como nacionais (espero que os das oposições não participem desse butim) maquinam fórmulas para substituir a senhora presidente no Palácio do Planalto, reduzindo-a sob buçal no Palácio da Alvorada. 

O que pensam tais celebridades: para evitar qualquer comoção institucional provocada pela tigrada petista que seria despojada das mamatas que há tanto tempo gozam, estudam uma solução de engenharia política, reduzindo os poderes da atual chefe do Executivo por meio de um sistema de governo semipresidencialista, copiado do modelo existente em países de fundadas tradições democráticas, como as repúblicas da França e de Portugal.

Em rápidas pinceladas, tal sistema semipresidencialista conferiria à chefe de Estado (no caso, a senhora Dilma) algumas prerrogativas, tais como a direção dos negócios da política externa do País; a representações perante os altos dignatários das demais nações; a figura exponencial para escolher o nome do primeiro-ministro, o chefe do governo, cujo corpo de ministros seria referendado pelo Congresso Nacional para a missão da administração federal. À presidente da República, seria conferido o status semelhante ao da rainha da Inglaterra. Tenho para mim, com as notícias que me dizem do espírito genioso da senhora Dilma, de que ela não se renderia a tal capitis diminutio, lembrando-se da geniosa rainha Vitória, lá da Velha Albion.

Neste momento buliçoso da política nacional, creem aquelas lideranças que o semipresidencialismo seria o caminho que permitiria chegar-se ao ano decisivo de 2018 dentro dos primados democráticos. Aliás, o Brasil já experimentou tal remédio jurídico-constitucional em 1961. A dosagem foi cavalar, salvou-o a Revolução de 1964, evitando-se mal maior; ou seja, a implantação de um regime comuno-sindicalista, com claras intenções de subversão da ordem democrática.

Temo que o esparadrapo que tais lideranças laboram para aplicar no paciente, tamponar as cisões decorrentes das ulcerações corruptas, eliminar as viroses, as bacterioses purgadas do lula-dilma-petismo, não será a solução, não trará tranquilidade, saúde e paz ao desassossegado povo brasileiro. Tal desassossego levou-o às ruas, num grito uníssono de que deseja “Fora Dilma, Fora PT”, distância de Lula. A este clamor, somam-se os recentíssimos episódios protagonizados, extremamente (permitam-me o superlativo) vergonhosos, contidos nas inconfidências do ex-presidente e de seus áulicos mais próximos.

Não se desejam fórmulas tidas como salvadoras, estas meramente paliativas. A situação é de indignação nacional, e o desejo é um só: impeachment da presidente, já!
Nada de engodos.

 

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