Não se tratam, portanto, de informações isoladas e vagas. Há fortes evidências de desvios, com graves desfalques aos cofres da estatal.
Recentemente, a presidente Dilma Rousseff declarou que impeachment sem crime de responsabilidade é golpe! A cada dia, porém, surgem novos elementos para desqualificar essa afirmação e provar que existem várias irregularidades. A última revelação é que a empresa Andrade Gutierrez fez doações às campanhas da presidente de 2010 e 2014, usando propinas de obras superfaturadas, entre elas da Usina de Belo Monte. A informação foi feita pelo ex-presidente da empresa, Otávio Marques de Azevedo, durante delação premiada. As investigações da Operação Lava Jato aproximam-se rapidamente de Dilma e já chegaram ao ex-presidente Lula, o que só faz aumentar a quantidade de argumentos daqueles que defendem o impeachment.
Essa é mais uma denúncia que compromete a presidente. O senador Delcídio do Amaral - que era considerado homem de confiança do Governo, sendo, inclusive líder no Senado - já tinha afirmado que Lula era o chefe da quadrilha, pois comandava o esquema de corrupção na Petrobras. Dilma, segundo disse o senador em entrevista à Revista Veja, também se beneficiou desse dinheiro, que financiou as campanhas eleitorais dela. Não se tratam, portanto, de informações isoladas e vagas. Há fortes evidências de desvios, com graves desfalques aos cofres da estatal, e depoimentos que corroboram aquilo que foi apurada.
Cabe aqui mencionar a recente declaração da jurista Janaina Paschoal, uma das autoras do pedido de impeachment contra a presidente, que tramita na Câmara. “Estamos diante de um quadro em que sobram crimes de responsabilidade”, disse. Esclareceu que foi utilizado dinheiro de bancos públicos “sem ter condições, sem ter arrecadação”. Foi isso, inclusive, que ajudou a criar sentimento de segurança financeira durante o ano eleitoral e, que na avaliação dos juristas, configura fraude eleitoral. Na verdade, basta recapitularmos as dificuldades financeiras do ano passado para comprovarmos que o discurso de Dilma destoava totalmente da realidade. Assim, os brasileiros “sentiram na pele” o recorde de desemprego, com 1,5 milhão de vagas fechadas no ano passado e o recuo de 3,8% do Produto Interno Bruto (PIB), maior queda já registrada pelo IBGE, desde a série histórica iniciada em 1996. Estamos longe ainda de sair da recessão .
Nessa mesma linha, o relator da Comissão de Impeachment, deputado Jovair Arantes (PTB-GO), concluiu que há indícios de crimes da presidente Dilma Rousseff nas pedaladas fiscais e nos decretos de aumentos de despesas sem autorização do Congresso Nacional. O relatório será votado na segunda-feira. Há ainda outros 12 pedidos pendentes para análise, um deles feito pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que inclui as declarações feitas pelo senador Delcídio.
Até integrantes do Palácio do Planalto reconhecem que as recentes delações de executivos da Andrade Gutierrez podem contribuir para que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apresse julgamento de eventuais irregularidades nas contas da presidente na campanha. Ou seja, o cerco está se fechando e já está complicado encontrar explicações plausíveis para tantos indícios.