Em momento decisivo para os rumos do País, preocupa a escalada da intolerância e do clima de hostilidade.
Rodovias e avenidas bloqueadas em ao menos 12 estados do País, numa série de protestos contra o impeachment. Esse é apenas o prenúncio da baderna que pode ocorrer nesse fim de semana, quando será definido o futuro da presidente Dilma Rousseff. Ontem mesmo, iniciaram os debates e discursos que antecedem a votação do processo de impeachment. As chances de que Dilma escape parecem cada vez mais exíguas. Levantamentos prévios divulgados pela imprensa nacional (em jornais como Folha de S. Paulo e O Globo) mostravam que já existiam votos suficientes para o impeachment ser aceito e, então, seguir para tramitação do Senado. São necessários 342 votos. Se os senadores aceitarem o processo, ela será afastada do cargo por 180 dias.
Em momento decisivo para os rumos do País, preocupa a escalada da intolerância e do clima de hostilidade. Ainda nesta semana, o líder do MST, João Pedro Stédile, convocou os militantes para não saírem das ruas até domingo. E, atendendo ao apelo, os sem-terra colocaram-se a postos nas estradas, cerceando o direito de ir e vir de diversos cidadãos. Era certo que, neste momento, o PT convocaria seus militantes a irem às ruas, tentar impedir a queda de Dilma Rousseff, que hoje parece inevitável.
Foram várias derrotas sucessivas. Primeiro, quando a comissão especial do impeachment aprovou parecer do relator Jovair Arantes (PTB-GO), que defende a abertura do processo contra a presidente. Na sequência, houve nova debandada de partidos, que deixaram a base aliada do Governo. PP, PSD e PTB, siglas com os quais o Planalto contava para tentar barrar o impeachment, abandonaram o barco, seguindo o mesmo caminho que já havia sido tomado pelo PMDB. Ainda, na noite de quinta-feira, o Supremo Tribunal Federal (STF) negou recursos da Advocacia-Geral da União e do PT, que tentavam adiar a sessão ou alterar o rito na Câmara. Alguns petistas já admitem a derrota e declararam ter perdido as esperanças. Entretanto, também há “corrente” que continua apostando na mobilização e promete resistir ao que chamam de golpe.
A mobilização dos sem-terra nas estradas, atendendo ao apelo petista, é apenas uma sinalização diante do que deve ocorrer em Brasília neste fim de semana. Quem acompanha as mobilizações, certamente, fica com a dúvida sobre quem financia tais movimentos. Afinal, tratam-se de pessoas que, muitas vezes, dependem do assistencialismo e, teoricamente, não teriam condições de bancarem viagens voltadas ao protesto, o que inclui diversos gastos.
O receio é que os manifestantes acabem partindo para o radicalismo. A expectativa é que o gramado em frente à Esplanada dos Ministérios e ao Congresso fique lotado. Tanto que um muro de placas de aço foi construído para dividir os grupos, claro retrato do clima de rivalidade que toma conta do País. Manifestantes pró e contra Dilma já seguem para Brasília. Sabe-se que a segurança deverá ser fortemente reforçada para evitar confrontos. Os movimentos justificam estar torcendo por um País melhor. Por mais que o caminho para essa meta sejam distintos, nada justificará o enfrentamento físico, independente dos resultados de domingo.