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Venildo Trevizan: "O Mandamento novo"

Venildo Trevizan: "O Mandamento novo"

Redação

23/04/2016 - 01h00
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O ser humano tem sua maneira própria de amar. Essa maneira própria leva a se distinguir dos demais. Será mais ou menos feliz de acordo com o jeito de expressar em palavras e em atitudes essa sua maneira de amar. Não será bem sucedido aquele que tentar imitar o modo de amar de outros. Sufocará a originalidade. 

Essa atitude e essa tentativa diminuirão a capacidade de expressar espontaneamente seus sentimentos e seus pretextos. Continuará na dependência de alguém que considere como modelo do amor que almeja desenvolver. Possivelmente serão pessoas de pouca criatividade mental.

Nessa historia do amor houve alguém que se atreveu desafiar todas as linhas de pensamento, todos os projetos de vida e todas as forças do amor. Tendo conhecimento do quanto os seres humanos andavam inseguros em seus relacionamentos e no respeito mutuo teve a ousadia de propor algo novo, algo que desafiaria todas as inteligências. 

Esse alguém é o próprio Jesus Cristo. Viu o mundo dividido. Viu as diferentes maneiras de encarar as leis e as obrigações na convivência familiar e social. Notou que os mandamentos, em lugar de unir, se tornavam motivo de discussões e desentendimentos. As pessoas não estavam se respeitando e nem se entendendo.

A lei era: “Ame seu próximo e odeie seu inimigo” (Mt.5,43). E o Mestre chama para junto de si os discípulos e corajosamente apresenta um novo modo de amar. Não mais como era praticado, mas como ele esperava que todos aprendessem. Disse-lhes: “Amem uns aos outros. Como eu os amei, assim também vocês deverão amar uns aos outros” (Jo.13,34).

Essa proposta aparentemente agradou a todos. Mas com o andar dos acontecimentos foram percebendo que se tornaria cada dia mais difícil realizar essa proposta. O Mestre que propusera esse mandamento mostrou com as próprias atitudes que isso levaria a aceitar até perseguições, calunias, prisões e a própria morte. E isso não seria fácil. Exigiria desprendimento radical e adesão incondicional ao novo modo de viver.

Amar nunca foi fácil. Os desafios continuam. Amar quem nos ama. Amar quem não nos ama. Amar a dor. Amar o sofrimento. Amar as dúvidas. Amar as incertezas. Amar a doença. Amar o ancião. Amar o enfermo. Amar os desafios. Amar a si. Amar a vida. Amar a morte. Amar o canto dos pássaros sem pagar nada. Amar o murmúrio das águas sem gastar nada.

Amar a Deus. Deixar-se amar por Deus. Amar como Deus ama. Não será fácil. Será mais fácil amar como e quanto nossa capacidade intelectual permitir. O jeito humano está muito longe do jeito de Deus. Ele ama por ter um coração bom, misericordioso e gratuito. E o ser humano ama por interesse. Busca satisfazer seus anseios em lugar de realizar os anseios de quem ama.

O ser humano pensa em si. Age em favor de seus projetos e de seus sonhos. Essas são barreiras que não permitirão a comunicação na gratuidade e sufocarão o desejo da generosidade e da esperança. Permanecerá uma enorme lacuna desafiando o poder da mente humana.

*Frei.

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