Artigos e Opinião

CENAS

Oswaldo Barbosa de Almeida: "Catando Guavira"

Advogado e escritor ([email protected])

Redação

28/04/2016 - 04h00

“Bem-te-vi, morena, oh! deusa caipira/Catando guavira, tão linda e tão só.../Colhendo na saia as frutas cheirosas/As pernas formosas se expondo sem dó!”. Ouvindo a música com esses versos, do grande poeta, romancista, compositor e exímio violeiro Geraldo Ramon Pereira, o Gê da Viola (de quem sou amigo), de cujo título me apropriei para nomear este escrito, contida no disco “Porteira de Vara”, fui levado a nostálgicas lembranças de minha infância e adolescência, relacionadas com essa frutinha do cerrado, a que se refere a letra de uma autêntica moda de viola.

Recordo-me do tempo distante em que eu, menino impúbere ainda em Camapuã, acompanhava minha mãe e um grupo de amigas suas, com outras crianças, nas alegres e barulhentas idas domingueiras aos campos próximos para colher guaviras, nas épocas próprias, regressando com cestos abarrotados do adocicado e saboroso fruto do cerrado, abundante em nossa região. Havia uma fazenda bem próxima da cidade, de um rico cidadão local, na qual era proibida a entrada para a colheita da guavira, correndo a lenda de que ele mandava soltar touros bravios nos campos para atacar quem neles entrasse.

Vindo de mudança para Campo Grande, aqui também com os campos e cerrados próximos abundantes da frutinha cheirosa, empreendi algumas incursões para a colheita dessa iguaria da natureza. Certa vez (lembro-me bem de que foi na época em que eu, adolescente, trabalhava na “Exposição Campo-grandense”, loja chique da então “capital econômica de Mato Grosso”), fui, com um amigo de idade próxima à minha, naturalmente num domingo, único dia de folga na semana (ainda se trabalhava no sábado o dia todo), até a região onde estava sendo construído o Sanatório Mato Grosso, o hoje Hospital Nosso Lar, então encravado no meio do cerrado, para onde se expandiu a Vila Planalto. 

Também ali proliferava a frutinha; passamos toda a manhã saboreando-a e enchendo nossos cestos para levar para casa. Comi tanta guavira que, no dia seguinte, tive sério problema intestinal.

De outra feita, a excursão foi à região do atual Indubrasil, na estrada de terra que demandava a Terenos, Aquidauana e o Pantanal, a hoje pavimentada BR 262: igualmente num domingo, minha irmã mais velha (falecida precocemente com menos de vinte e dois anos de idade), convidada por uma amiga cujo namorado tinha uma “picape” Ford 1929 (o “fordinho de bigode”, como era chamado, modelo também apelidado “chimbica” ou “ximbica”, significando carro muito velho), aceitou empreender  uma ida aos então extensos guavirais daquele lugar, levando-me como acompanhante. Seguiu junto também o irmão dessa amiga de minha irmã, o qual se tornou mais tarde funcionário do Banco do Brasil, onde fez carreira até aposentar-se. Como na pequena cabine do carrinho mal cabiam o motorista e as duas moças, fomos, eu e ele, na caçamba da micro camionete, que sacolejava na precária e esburacada estrada carreteira. Foi mais um agradável passeio dominical, numa cidade desprovida de opções de lazer.  

Artigo

As 600 oliveiras de Nabatiyé e as eleições brasileiras

Segundo o proprietário, algumas tinham aproximadamente 500 anos, acompanhando gerações, mudanças de governo e sucessivas estações

03/11/2026 07h35

As 600 oliveiras de Nabatiyé e as eleições brasileiras

As 600 oliveiras de Nabatiyé e as eleições brasileiras

Continue Lendo...

Editorial

Segurança pública exige inteligência

O crime organizado não respeita limites estaduais, calendários eleitorais ou diferenças partidárias, por isso, seu enfrentamento não pode ficar limitado a iniciativas isoladas

03/11/2026 07h25

Segurança pública exige inteligência

Segurança pública exige inteligência

Continue Lendo...

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).