Impossível não ser solidário a Bernal na indignação; porém, não é papel do prefeito ou comissionados - presentes na Câmara e que deveriam estar trabalhando - incitarem a violência.
Em tese, os políticos deveriam dar bom exemplo de comportamento aos cidadãos. Os acontecimentos na Câmara dos Vereadores em Campo Grande dão mostra de que a esperada postura fica apenas no campo das ideias. A sessão de ontem transformou-se em ringue sem regras. Entrou em combustão em consequência das desastrosas declarações do vereador Roberto Durães (PSC), feitas na sessão de terça-feira (3). Um exemplo de como o eleitor precisa ter critérios mais rígidos antes de definir o voto.
Não será neste espaço que a fala de Roberto Durães será repetida; se possível, é preciso evitar dar notoriedade ao execrável. Apenas será citado que foi por causa do pronunciamento infeliz - sobre a mãe do prefeito da Capital, Alcides Bernal, uma senhora de 87 anos - que o pandemônio se instalou na Câmara, nesta quinta-feira. Antes, representantes do Sindicato dos Servidores Municipais de Campo Grande (Sisem) tentavam discutir o reajuste proposto pelo Executivo, pendência em debate há mais de dois meses, ainda sem solução. A discussão não teve como prosperar. Pelo menos 200 pessoas invadiram o local e iniciaram protesto contra o parlamentar, pedindo a cassação do mandato. Segundo fontes ouvidas pelo Correio do Estado, comissionados do Executivo. O embate neste clima era inevitável. O estopim para a confusão, o bate-boca, socos e tapas desferidos foi agressão contra jornalista. O presidente da Casa João Rocha optou por encerrar a sessão, mas o estrago já tinha sido feito.
Impossível não ser solidário a Bernal na indignação; porém, não é papel do prefeito ou comissionados - presentes na Câmara e que deveriam estar trabalhando - incitarem a violência e a confusão. O exemplo, se inexiste na Câmara, deveria vir do Executivo. Infelizmente já foi comprovado que as relações do prefeito com o Legislativo azedaram de tal forma que é expectativa frustrada qualquer evolução.
Sobre o pivô da confusão, reina o silêncio. Ele não estava presente quando balbúrdia explodiu. Na abertura dos trabalhos na Câmara, foi até o microfone, pediu desculpas, dizendo que exaltou-se no pronunciamento e rogou que a fala fosse retirada da ata de declarações. Assim, livra-se da possibilidade de responder por quebra de decoro parlamentar. Independentemente disso, o comportamento foi vergonhoso e altamente reprovável. Retirar da ata não o exime responsabilidade do que foi dito. Difícil vislumbrar qualquer cenário que o teor do discurso, mesmo em momento de exaltação poderia ser minimamente justificado. Em outra oportunidade, o destempero do parlamentar já tinha sido alvo de polêmica e lhe rendeu inquérito por injúria, segundo boletim registrado em fevereiro pela Polícia Civil. Vale lembrar que Roberto Durães ocupa cadeira na Câmara de Vereadores após cassação do mandato de Thaís Helena (PT). Nas eleições de 2012, recebeu 1.890 votos quando ainda estava na legenda petista e, agora, representa o PSC na Casa de Leis. Escapar do processo de quebra de decoro não o libera de passar pelo crivo popular. É exemplo claro do quanto o voto é importante e não pode ser descartado.