A participação dos pais nas instituições de ensino teria que ser mais ativa no processo pedagógico, na discussão e definição das propostas educacionais.
A participação dos pais no cotidiano dos filhos na escola é primordial para o desenvolvimento da criança. Colocar em prática o ideal não é regra seguida por muitas famílias que, atualmente, “terceirizam” várias funções aos professores. Por isso, mesmo de forma não ortodoxa, é interessante ver o empenho de pais e diretores em Campo Grande em manter a rotina dos alunos da Rede Municipal de Ensino (Reme) durante o período de greve dos servidores administrativos. Assumir os trabalhos dos grevistas foi a alternativa encontrada para não comprometer o dia-a-dia nas instituições.
Por causa da paralisação, pais resolveram fazer a merenda e, as crianças, participam da limpeza nas escolas. A divisão de tarefas tem auxílio das diretores das instituições, segundo informações já divulgadas pelo Correio do Estado, repassadas pela Associação de Pais e Mestres (APM). A prática está sendo feita, por exemplo, na escola municipal Irene Szukala, no Jardim das Hortências. O Sindicato Campo-Grandense dos Professores da Educação (ACP) critica a medida adotada, alegando que os servidores que estão auxiliando praticam desvio de função. Os pais, por sua vez, tomaram a decisão motivados pelo temor de que as crianças possam ser prejudicadas, a exemplo do que aconteceu na greve ocorrida no ano passado, em que o calendário ficou comprometido. Mesmo com a reposição, a qualidade do ensino foi afetada, já que, em alguns casos, as aulas foram realizadas até dezembro, quando os alunos já deveriam estar em férias. A disposição, claro, não é a mesma.
Logicamente, o preconizado pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) vai muito além do que cozinhar e manter banheiros limpos. Mas para que isso aconteça, é preciso uma revolução do pensamento das famílias em relação aos papel das instituições, principalmente, das públicas.
Muitos ainda encaram o que é concedido - vagas, merenda e uniformes - são benesses e não enxergam como um direito adquirido. Isso porque, segundo estudiosos, oacesso em larga escala é fenômeno relativamente novo, intensificado nos anos 1990. Para as famílias, que antes eram segregadas do sistema de ensino, será preciso mudar este conceito.
A participação dos pais nas instituições de ensino teria que ser mais ativa no processo pedagógico, na discussão e definição das propostas educacionais. Demonstrar interesse no conteúdo que está sendo dado e estar informado sobre os objetivos da escola são algumas das práticas bem-vindas nesse processo. A rotina de trabalho dos pais, por muitas vezes, é a justificativa para inviabilizar esse acompanhamento. A desculpa pode prejudicar a formaçãodos filhos. De maneira informal, o que os pais em Campo Grande se dispuseram a fazer proporciona a eles, também, visão diferenciada de como a escola influencia no comportamento dos filhos e o que está sendo ensinado a eles. Também é exemplo de como não esperar que o sistema público resolva todos os problemas não solucionados pela gestão. Mesmo que na improviso, que sirva de lição para pais, filhos e educadores.