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Angela Costa, Maria Coelho e Paulo Cabral: "OPS! Xingar a mãe NÃO pode"

Angela Costa, Maria Coelho e Paulo Cabral: "OPS! Xingar a mãe NÃO pode"

Redação

08/05/2016 - 01h00
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Mais uma vez, a Câmara Municipal de Campo Grande foi palco de deplorável intervenção de um de seus integrantes, vereador Roberto Durães (Partido Social Cristão), ocupante de cargo vago de outro vereador cassado por compra de votos e detentor de parcos 1890 votos, num universo superior a 400.000 eleitores.

Useiro e vezeiro de proclamar inflamados discursos em defesa da família tradicional, não hesitou em ofender a mãe do Prefeito da Capital, uma senhora de 87 anos, a ela se referindo em termos inadmissíveis em qualquer circunstância.

De forma debochada, irresponsável, em plena liturgia de uma sessão parlamentar; na presença do Presidente, dos demais colegas, do público e da imprensa, invadiu o campo da Ética! Quebrou o Decoro Parlamentar.

Eu quero dar um recado ao prefeito. Eu conheço muito a senhora mãe dele, viu? Eu conheço demais aquela senhora mãe dele... como eu conheço, já que é uma corja, fala pra mãe dele contar pra ele quem sou eu.

Ainda mais no silêncio dos edredons, prolatou o representante do povo, profanando a Tribuna da Casa de Leis.

Em brigas de moleques em porta de escola ou nos presídios de segurança máxima há regras impostergáveis, segundo as quais, a número um diz que não se põe a mãe no meio, por representar uma figura sempre preservada; venerada.  

Ao atingi-la, se ofende a um símbolo caro em nossa cultura, ainda mais grave, quando feito na semana que antecede as comemorações do dia das mães.

O mais estarrecedor, mais lamentável, mais chocante é que tudo foi feito publicamente, gravado em vídeo sob os olhares e ouvidos dos demais membros do legislativo municipal.

Esse representante de uma ínfima parcela da sociedade (é fato) envergonha a todos nós, a sua própria mãe, a sua própria esposa, aos seus filhos, aos seus eleitores, ao colégio de vereadores, à própria cidade de Campo Grande. Tudo tem limite e o limite foi ultrapassado.

O vereador Durães avançou a linha da civilidade e não pode ficar impune. Sua retratação posterior é inócua, sua língua ultrajou códigos civilizatórios inafiançáveis. (Xingar a mãe, senhor, é inadmissível, é crime contra a honra, é, sim senhor, quebra de decoro parlamentar).

Usar a tribuna, dirigir nota à imprensa, retratar-se, pedir desculpas e,  ardilosamente, solicitar que o discurso seja retirado da ata – pasmem-se, recurso este previsto no regimento interno da casa de leis – não o exime de responsabilidade pelos seus atos.

Da Tribuna, tem–se de ter cuidado, respeito, hombridade. Isso não se apaga, não se retrata. Essa também é uma prática degradada de se “fazer” política, que precisa ser denunciada.

Infelizmente, a educação que esse senhor deveria ter adquirido na infância, em casa, na escola, nos seminários (salesiano e diocesano) que diz ter passado, não integrou sua personalidade incivilizada.

Aqui, tem-se nítida a hipocrisia dos discursos moralistas. Ele, o vereador Roberto Durães, que tanto diz defender a integridade da família, os valores tradicionais; que se vangloria da sua condição de cristão - o mesmo que quer homenagear um correligionário que exaltou a memória de um torturador assassino -  é quem agora lança sua sanha contra o prefeito, imputando descabidamente ofensas a sua genitora, em demonstração cabal de absoluta falta de decoro.

Um bom soco na cara, uma boa surra de um moleque de rua, ofendido, lhe fez falta, e, deformou-lhe o caráter, forjando sua falta de educação, pincelando sua iniquidade, revelado nesse discurso machista e anacrônico.

Procurando limpar a mancha que nodoou a Casa de Leis - não tão irônico, e, também, agora, melhor orientado - demonstrar lisura e arrependimento, não nos parece cabível.

Por outro lado, o Presidente da Câmara, vereador João Rocha, declarou que, para acionar a comissão de ética, a Câmara precisa ser provocada pelos parlamentares, sociedade ou algum órgão fiscalizador ou representativo.

Sendo assim, senhor presidente, a par das medidas que, certamente, já foram tomadas, nós, os cidadãos ativos, em nome de tantos outros que se unem  a nós contra a degradação da prática política, em nossa cidade, estamos provocando a Câmara MUNICIPAL DE CAMPO GRANDE, advogando pela instalação da Comissão de Ética, com vistas a cassação imediata desse parlamentar por quebra de decoro parlamentar. Campo Grande não merece arcar com mais esse circo de horror, passar por mais este escárnio, ilesa. Muito menos por mais uma impunidade e omissão do legislativo.

*Angela Costa Doutora em Educação pela PUC de SP e professora da UFMS. Maria Angela Coelho Doutora em Comunicação e Semiótica pela PUC de SP. Paulo Cabral Sociólogo e Professor  — Pelo  Movimento Por uma Cidade Democrática.

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