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CORREIO DO ESTADO

Editorial deste domingo: "Batalha injusta"

Editorial deste domingo: <br>"Batalha injusta"

Redação

08/05/2016 - 03h00
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Investiu-se quase R$ 4 milhões nas reformas de postos de fiscalização, mas há risco iminente de que unidades sejam fechadas por falta de policiais.

Está evidente que a segurança pública vem perdendo a guerra contra os criminosos.

Basta percebermos a quantidade de drogas, armas e produtos contrabandeados que chegam diariamente ao Brasil, passando livremente pelas nossas fronteiras com Paraguai e Bolívia.

É indissociável que a falta de investimentos - um dos reflexos da recessão econômica - agravou ainda mais o quadro que já era considerado crítico. Em três anos, Mato Grosso do Sul perdeu 100 policiais rodoviários federais. São profissionais que se aposentaram ou pediram transferência para outros estados.

Nesse período, essas contratações não foram repostas e hoje o efetivo é de 403 policiais, metade do mínimo necessário. E, pior, não há planejamento para que a situação possa ser revertida ao menos em curto prazo.

A única sinalização positiva não é nada otimista e poderia ser considerada até vergonhosa diante das necessidades. A previsão é chamar só 20 aprovados no último concurso.

Há graves problemas da gestão nacional ao definir as prioridades, se formos considerar alguns aspectos. Investiu-se quase R$ 4 milhões nas reformas de postos de fiscalização, mas há risco iminente de que unidades sejam fechadas por falta de profissionais.

Dinheiro público jogado fora. Segundo, por um problema já intensamente cobrado neste espaço dedicado ao editorial: a necessidade de reforçar a fiscalização nas cidades fronteiriças justamente para fechar a porta de entrada aos criminosos.

Caso contrário, os demais estados continuarão apenas “enxugando gelo”, fazendo apreensões de drogas e armas que não param de chegar.  Afinal, dificilmente chegam-se aos líderes das quadrilhas, que continuam atuando, articulando novas ramificações e cooptando mais integrantes.

O governo federal não pode continuar negligenciando sua atribuição de fiscalizar a fronteira, algo que não se resume à falta de contratações para efetivo da Polícia Rodoviária Federal. Essa é apenas a ponta da imensidão de problemas.

Dificuldades semelhantes são enfrentadas pela Polícia Federal, que não vem apresentando resultados convincentes de muitas investigações. Em muitas das apreensões de drogas e armas, as prisões limitam-se às pessoas flagradas cometendo o ato ilícito.

Nem com anos de espera é possível saber quem eram os grandes criminosos que estavam por trás de flagrantes expressivos, com grande quantidade de maconha ou cocaína sendo levados em carretas. Essa impunidade acaba contribuindo para que as ilegalidades perpetuem.  

Enquanto isso, Mato Grosso do Sul acaba pagando uma conta que não é sua, destacando efetivo maior para atuar na região fronteiriça, deixando muitas cidades sem policiamento necessário. Há ainda o alto custo dos presos que são detidos aqui, algo que já motiva o Governo do Estado a entrar na Justiça contra a União para que essa “dívida” seja paga. 

Esse descaso favorece os criminosos. Impossível cobrir as rotas alternativas usadas pelos traficantes se a fiscalização não está sendo suficiente nem mesmo nas rodovias conhecidas. Se nada for feito, a criminalidade continuará vencendo a batalha. 

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