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Confira o editorial desta sexta-feira: "Caminhos perigosos "

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Redação

13/05/2016 - 03h00
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O momento propício para corrigir falhas acaba desperdiçado e, novamente, a falta de credibilidade volta a  pesar

Michel Temer, que assumiu ontem como presidente da República interino, terá pouco tempo para tentar colocar em ordem a descompensada e deteriorada economia brasileira. A missão nesses 180 dias é tentar corrigir parte dos equívocos da gestão de Dilma Rousseff para retomar o equilíbrio financeiro. Estancar a gastança desenfreada e recuperar a credibilidade para voltar a atrair investidores estão entre os primeiros desafios. Tudo isso, porém, precisa ser conciliado com apoio político para viabilizar as medidas de ajuste fiscal, que serão necessárias para assegurar tais acertos financeiros. Isso sem eliminar os benefícios sociais, bandeiras do governo petista, reajustados por Dilma já às vésperas de seu afastamento pelo Senado.

Em seu discurso, Temer falou em confiança, entusiasmo e de organizar as bases do futuro. Entretanto, já comete as primeiras falhas na escolha de seus ministros. Sete são alvos da Operação Lava Jato, investigação que desvendou esquema de corrupção e desvio de verbas da Petrobras. Torna-se mais difícil, portanto, a tentativa de transformar a imagem deletéria do governo, maculada pelos escândalos de corrupção e crise financeira. O momento propício para corrigir falhas acaba desperdiçado e, novamente, a falta de credibilidade volta a  pesar.   

O próprio Temer já foi citado como suposto beneficiário do esquema. O Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou a inclusão dele em investigação, com base na delação do senador cassado Delcídio do Amaral, que também apontou envolvimento de Dilma e do ex-presidente Lula. Será preciso aprofundar as apurações, mas a nomeação dos ministros investigados acaba representando a chance perdida de tentar desvincilhar-se dos escândalos.

A população sabe que a posse de Temer não será passe de mágica para solução de diversos problemas. Mas, para que os resultados apareçam, a confiança será essencial, inclusive, para reverter  o cenário no mercado financeiro.  

As perspectivas econômicas preveem repetição da recessão econômica neste ano e em 2017. No ano passado, o Produto Interno Bruto (PIB) encolheu 3,8%, a inflação disparou e o desemprego bateu recorde. Por isso, para muitos, o afastamento de Dilma da Presidência representaria os primeiros passos para acabar com esse pesadelo financeiro e com o desastre político que vem assombrando os cidadãos.

Toda essa lamentável conjuntura acaba contribuindo para despertar o sentimento de esperança de recuperação, depositada no governo Temer, tanto pelo mercado financeiro como pelos  empresários e trabalhadores que convivem com a incerteza sobre os rumos do País. Impreterível considerar que todo esse processo ainda está marcado por indefinições, pois continua o trâmite do processo de crime de responsabilidade contra a presidente afastada.

Um eventual fracasso de Temer para tentar resgatar o País do caos econômico e político não seria suficiente para reverter o descontentamento com a gestão de Dilma. Por isso, a confiança não pode ficar apenas no discurso. Inicia-se uma corrida para, em pouco tempo, tentar corrigir anos de equívocos e desfazer os castigos de última hora, que impactaram os cofres públicos. Os passos iniciais não podem repetir os caminhos tortuosos.   

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