A educação de qualidade, como já é notório, é uma verdadeira arma contra a desigualdade social e outros problemas sociais, bem como ferramenta singular para o crescimento econômico de um país em médio e longo prazo.
Um exemplo real de tal evolução baseada no incentivo e investimentos na educação que permitiram um crescimento e desenvolvimento social e econômico é a Coreia do Sul, que, num período de cinquenta anos, modificou de forma significativa sua realidade pós-guerras.
Apesar do exemplo dado, ainda há países subdesenvolvidos e em desenvolvimento que não se espelham em tal evolução, como é o caso do Brasil, que, apesar de se utilizar da máxima de que a educação é crucial (infelizmente, tão somente em época eleitoral), ainda está longe de ter o acesso à educação e a permanência na escola como sua principal meta.
A educação brasileira sofre por sua falta de qualidade, pois, apesar dos indicadores crescentes de ingresso de alunos e de diminuição de analfabetos, temos ainda um contingente enorme de alunos que, apesar de iniciarem seus estudos, os abandonam e não chegam assim a concluí-los.
E os que conseguem chegar ao fim não saem capacitados nem com os conhecimentos básicos esperados. Nessa esteira, vemos os índices alarmantes dos chamados analfabetos funcionais, que, embora sejam capazes de ler e escrever palavras, não conseguem compreender, interpretar e construir textos ou frases coerentemente, bem como não sabem elaborar cálculos aritméticos básicos.
A falta de foco do Poder Público quanto à educação reflete-se no fato de sermos uma nação com um dos mais baixos investimentos por aluno no mundo, que chega a ser quase quatro vezes menor que em países desenvolvidos, como os Estados Unidos da América, Noruega e Suíça, bem como perde para países como nosso vizinho Chile. (Informação extraída do sítio: http://www.correiobraziliense.com.br).
Outro ponto fundamental é a valorização dos docentes para que se garanta uma educação de qualidade, possibilitando que os alunos tenham acesso aos conteúdos por profissionais preparados e qualificados. Parecemos rumar, no entanto, cada dia mais para o lado oposto, pois vemos uma crescente desvalorização dos professores.
No âmbito financeiro, recebem pouquíssimos reajustes, apesar de o custo de vida continuar crescente; no âmbito profissional, sofrem com o descrédito social, alimentado pela falsa ideia de que educar é um sacerdócio e não uma profissão como as demais, e com um trabalho cada vez mais desgastante, a que se soma a falta de tempo e dinheiro para se reciclar, justamente numa área que tem como função formar profissionais de diferentes áreas.
Com isso, ao invés de ser uma carreira atrativa e respeitada como em diversos países, torna-se desprestigiada, com um número cada vez menor de interessados em seguir tal profissão, sobretudo no que se refere às séries iniciais da educação.
Necessário frisar que, no atual cenário brasileiro, em que se pulverizam as crises econômicas e políticas e em que as contas não fecham, foi anunciado, para um reajuste orçamentário, um corte de R$ 7 bilhões para o custeio do Ministério da Educação, o que restou condenável aos olhos de todos, inclusive no cenário internacional, sendo impugnado pela Organização das Nações Unidas (ONU).
Por todo o exposto, o Brasil ocupou a 60ª posição entre 76 países avaliados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), ficando próximo dos países mais pobres do continente africano. (Matéria retirada do sítio: http://oglobo.globo.com/sociedade/educacao/brasil-fica-em-60-em-ranking-mundial-da-educacao-16141679).
Assim, temos um contrassenso ao falarmos de crescimento econômico do Brasil, já que não investimos e até mesmo sucateamos a educação no país.
Conforme analisado por organizações internacionais e a exemplo da experiência de outros países, propiciar educação básica, fundamental e superior de qualidade é arma eficiente para permitir que de fato haja não só um crescimento econômico, mas também uma melhor distribuição de renda, com uma justiça distributiva que diminua as desigualdades sociais.
*Renan Mitugi Tamura Acadêmico do curso de Direito da UFMS-Três Lagoas. Isabelle Dias Carneiro Santos Docente do curso de Direito da UFMS-Três Lagoas.