Três Lagoas continua com o “elefante branco”, símbolo da ruína enfrentada pela Petrobras e de todos os escândalos que atingiram as empreiteiras participantes do esquema
Os caixas da Petrobras foram arrasados pelos esquemas de corrupção. Crimes de lavagem e desvio de dinheiro levaram para a prisão políticos e empreiteiros. Os sucessivos escândalos, desmascarados na Lava Jato, abalaram a imagem do governo petista, já desgastada pela grave crise econômica enfrentada no País e contribuíram significativamente para as manifestações de indignação e rejeição à presidente afastada Dilma Rousseff, alvo de processo de impeachment. Essa conjuntura refletiu em todo os estados. Em Mato Grosso do Sul - além das peculiaridades com envolvimento do senador cassado Delcídio do Amaral e do empresário José Carlos Bumlai - há ainda mais prejuízos financeiros. Três Lagoas permanece com a incerteza sobre a retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN-3). A ruína da má gestão na estatal levou junto milhares de trabalhadores do município, demitidos sem receber seus direitos, e 130 empresários com dívidas milionárias.
Reportagem mostrada na edição de hoje revela que essa foi a terceira maior dívida deixada por obras da Petrobras, em todo o país, que somam R$ 400 milhões. A perspectiva de desenvolvimento quando foi feito o anúncio do investimento transformou-se em completa decepção. O impasse parece estar longe do fim. As obras eram executadas pelo consórcio formado pelas empresas Sinopec e Galvão Engenharia, esta última citada na operação Lava Jato. O contrato foi rescindido pela estatal, que alega ter honrado com todos seus pagamentos e, por isso, exime-se da responsabilidade das dívidas. Ou seja, o imbróglio ainda permanecerá. Assim, Três Lagoas continua com o “elefante branco”, símbolo da ruína enfrentada pela Petrobras e de todos os escândalos que atingiram as empreiteiras participantes do esquema.
A Petrobras, outrora orgulho de muitos brasileiros, perdeu quase 30% do valor de mercado e as ações na bolsa despencaram. Operações policiais, espera-se, teriam colocado fim ao esquema que desfalcava os cofres da estatal, mas os estragos foram grandes. Em fevereiro, juiz dos Estados Unidos autorizou investidores a processarem a Petrobras como grupo, em razão de perdas bilionárias decorrentes das investigações sobre suborno e propina envolvendo a companhia. Por mais que os prejuízos sejam avassaladores, a Petrobras tem potencial suficiente para se reerguer e há expectativas do mercado financeiro para que o presidente interino Michel Temer escolha nova liderança.
Essa reformulação - que precisará atender a demanda gigantesca de problemas - pode significar o sufrágio que os sul-mato-grossenses esperam para que as obras da UFN-3 sejam, enfim, retomadas. Há várias outras urgências na economia brasileira. Mas, qualquer obra parada acaba representando desperdício - seja pela estrutura perdida ou pelos empregos que deixam de ser gerados em momento que o País clama por investimentos. Da refinaria de Pasadena à unidade de fertilizantes em Três Lagoas ou aos diversos escândalos de corrupção, os problemas estão evidentes: gestão ineficiente e corrupção.