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Cosme e Alexandre: "Responsabilidade social também é uma estratégia"

Cosme e Alexandre: "Responsabilidade social também é uma estratégia"

Redação

20/05/2016 - 01h00
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Cosme Cicero de Freitas Acadêmico do curso de Administração da UFMS/Três Lagoas
Alexandre Farias Albuquerque Professor do curso de Administração da UFMS/Três Lagoas

Segundo o respeitado economista Milton Friedman, que foi agraciado com prêmio Nobel de Economia no ano de 1976 (século XX), “há apenas uma Responsabilidade Social das empresas: usar seus recursos e sua energia em atividades destinadas a aumentar seus lucros, contanto que obedeçam às regras do jogo [...] e [...] participem de uma competição aberta e livre, sem enganos e fraudes”. Além disso, ele critica enfaticamente os administradores que utilizam os recursos da organização para o bem social, à medida que essa responsabilidade possa reduzir os lucros da empresa, aumentar os custos do negócio e dissolver seus propósitos, imputando à empresa uma responsabilidade social muito grande (cf. SANTOS, 2012 e SCHERMERHORN JR, 2007).

Pensar dessa forma, no século XXI, em que as informações se propagam de forma rápida em todas as partes do globo, pode ser um grave erro, pois a sociedade está mais consciente e amadurecida em relação às responsabilidades corporativas. As pessoas não estão preocupadas apenas em consumir o produto, mas também com aspectos sociais e ambientais; elas desejam, além disso, saber sobre a origem ou procedência dos produtos. Os stakeholders estão cada vez mais engajados em questões sociais e ambientais, a fim de direcionar as organizações para práticas socialmente responsáveis.

Assim, as empresas devem cumprir seu objetivo de multiplicar o capital e, ao mesmo tempo, ter responsabilidade social. Elas podem fazer da responsabilidade social uma estratégia para manter e ampliar sua rentabilidade e potencializar seu desenvolvimento. Por meio de uma ação social ou ambiental bem conduzida, a empresa pode garantir uma posição de destaque na sociedade – e sua imagem pode ser reforçada perante todas as partes interessadas. Além disso, as empresas tornam-se bem mais conhecidas e vendem mais. Seus produtos ganham mais visibilidade e aceitação, podendo, dessa forma, até fidelizar um grande número de clientes que possuem valores compatíveis com o das empresas socialmente responsáveis.

As empresas não podem, entretanto, ser consideradas ética e socialmente responsáveis apenas por cumprirem o que a lei determina; é preciso ir além para atender aos padrões éticos. Elas precisam criar ações que ultrapassem aquilo que é considerado suficientemente moral ou ético e ser autênticas no sentido de não serem prejudiciais à sociedade ou agressivas ao meio ambiente (THOMPSON JR.; STRICKLAND II; GAMBLE, 2008). A empresa poderá tornar seu negócio confiável multiplicando os efeitos positivos e minimizando os impactos negativos de forma proativa, ou seja, assumindo posições voluntárias, contribuindo sem imposição da lei. Assim, estará olhando para a frente, compreendendo o seu ambiente e posicionando a organização de uma forma eficaz, de que poderá resultar vantagem competitiva em períodos de mudanças.

Portanto, seguir a tese de Milton Friedman, de que o compromisso com a responsabilidade social não é atribuição fundamental das organizações, pode afetar negativamente os resultados de uma empresa. É uma posição antiética e de difícil sustentação diante das transformações e dos impactos que as organizações provocam na sociedade e no meio ambiente. Além disso, há evidências de que a responsabilidade social leva as empresas a um melhor ganho financeiro no longo prazo.

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