O PT, já dilacerado pelas constantes denúncias de corrupção, tende a sofrer ainda mais desgastes. Consequência das ilegalidades cometidas por várias de suas lideranças.
Novas denúncias envolvem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e revelam novos indícios de seu envolvimento em esquemas de corrupção. As evidências surgem para corroborar aquilo que muitos brasileiros já acreditavam: seria impossível o então presidente ficar alheio a tantos desvios de recursos, principalmente em relação à Petrobras. A dimensão dos escândalos “sepulta” as tentativas de alegar desconhecimento. Ontem, dois novos fatores contribuem para fechar essa cerco. O ministro Teori Zavascki, relator da Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a inclusão de mais provas no inquérito de Lula por suspeita de participar datentativa de comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, com base na delação do senador cassado Delcídio do Amaral. Ainda, operação chegou ao sobrinho de Lula, Taiguara Rodrigues dos Santos, que foi levado coercitivamente para depor.
A Polícia Federal apura se Lula cometeu tráfico de influência internacional, em favor da construtora Odebrecht. Ele já é investigado em outros dois casos. Foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo pelos crimes de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica no caso envolvendo um apartamento tríplex que seria de sua família no Guarujá (SP). Também há fortes evidências para a força-tarefa denunciá-lo nas irregularidades relacionadas à reforma de um sítio em Atibaia (SP), que teria sido bancada por um consórcio de empreiteiras investigadas Lava Jato. Além disso, Delcídio do Amaral comprometeu seriamente o ex-presidente, com as revelações feitas durante acordo de delação premiada. Ele foi apontado como chefe da quadrilha que desfalcou os cofres da Petrobras.
As denúncias também já chegaram à presidente afastada Dilma Rousseff, com fortes indicativos de que ela sabia de todo o esquema e também acabou beneficiada. OPT, já dilacerado pelas constantes denúncias de corrupção, tende a sofrer ainda mais desgastes. Consequência das ilegalidades cometidas por várias de suas lideranças. Soma-se esse colapso político aos graves equívocos administrativos, com reflexo direto na recessão econômica. Unindo os dois fatores, têm-se a alta fatura que os brasileiros estão tendo de pagar pelo desastre petista a frente do Governo. Além do prejuízo financeiro decorrente da corrupção, há o peso da inflação alta, desemprego e da estagnação do desenvolvimento.
O presidente interino Michel Temer, infelizmente, não conseguiu se desvencilhar de todo esse cenário inescrupuloso. Nomeou ministros também investigados no esquema da Lava Jato. Doze receberam das empresas investigadas. Seu novo líder na Câmara, deputado André Moura (PSC-SE) é acusado de tentativa de homicídio e réu em três processos. Permanece, portanto, o emaranhado de suspeitas que tanto decepcionaram os brasileiros. O único alento vem da declaração do presidente da Petrobras, Pedro Parente, que descarta indicações políticas na estatal, o que poderia minimizar as chances de falcatruas.
As condenações na Lava Jato já ultrapassam mil anos, somadas os 74 investigados sentenciados. As evidências mostram que ainda há muito a ser desmascarado no esquema. Mais condenações estão por vir. Permanece o anseio de que, além do fim da impunidade amparado em ações da Justiça, haja avanços para que novas gestões adotem rumos melhores.