“Marcha soldado, cabeça de papel, quem não marchar direito vai preso pro quartel”, esta brincadeira infantil que nos faz compreender e apreciar Cassimiro de Abreu, em “meus oito anos”, onde nos premia com a doce lembrança e, ao mesmo lamento: “Ah que saudades eu tenho da minha infância querida...”, inspira hoje este articulista a se deter sobre quadros da vida e a evolução (?) deles sob o progresso, nem sempre de sabor poético.
Criança brincando, por exemplo, é quadro tomado pelo eletrônico, na parede ou em mão. A cantiga de roda, o entoar uníssono e socializante, está superado, em extinção. A marcha para o trabalho consome igual ou maior tempo que as horas trabalhadas. O próprio trabalho, em busca da maior produtividade e diminuição do esforço, se informatiza mais e mais, fazendo com que cada vez menos pessoas sejam requeridas na execução de determinado serviço, enquanto a população aumenta, fazendo crescer o número de candidatos a postos de trabalho, subtraídos pela tecnologia. Enquanto se discute o constatado aumento da temperatura na terra, o aumento populacional está a exigir aumento das fronteiras agrícolas, das habitações, de pavimentação, da produção de veículos. Fronteiras só expandem com sacrifício da cobertura vegetal natural, consumindo água, ao mesmo tempo que a polui. Habitações igualmente, pois redundam em pavimentação do solo lançam seu esgoto. Assim a indústria, especialmente a de veículos que cobra pavimentação.
Não nos sintamos derrotados, sem volta, em extinção. Em tudo podemos atuar. A informatização ameaça postos de trabalho, é bem verdade, mas abre outros requerendo técnicos para produzir máquinas e componentes, trabalhando na manutenção, no ensino da utilização dos recursos que nos dá. Ela pode se utilizada a nosso favor. Na saúde, facilitando diagnósticos, por exemplo. Na educação, utilizada didaticamente, como bem descreve a professora Sílvia Tavares Farina (Correio do Estado- entrevista - 11-01-2015). Os veículos elétricos já são uma realidade. O combustível fóssil será abandonado. Há um avião cruzando nossos céus com bateria hélio galvânica. Do mesmo modo que habitações se iluminam.
O descompasso mais dolorido de todos, no entanto está ai, desapercebido, retardando, se não impedindo, que as vitórias acima mencionadas se façam céleres, antes do “juízo final”. É o verificado entre o contingente de professores e das crianças em idade escolar, na educação infantil e no ensino fundamental. Enquanto o primeiro se desestimula para abraçar e se manter na carreira, o segundo, dependente da existência, fartura, capacidade e resistência daquele, se vê envolvido, e vitimado, pelo ingrato índice de correlação inverso entre alunos por turma e professor, estressante para ambos, altamente prejudicial ao rendimento. Este é dentre os citados anteriormente, o único em que nossa intervenção pode ser imediata e tal forma eficaz que acelera as demais vitórias. É um elemento inteiramente sensível à nossa interversão.
Esmeremos no carinho e no investimento no setor que guarda a mais valiosa parcela da criação que, em sendo corrigido antes e acima de qualquer dos demais, eleva o ser humano de forma fazê-lo realmente à semelhança do Criador, encontrando mais saídas para as “sinucas de bico” que o progresso, em função da evolução deste mesmo ser, oferta. No Correio do Estado de 14-02-2015, o autor deste publicou “Não é Exagero Não”, defendendo tema correlato e, aqui, volta a se atrever a apontar a fórmula “salvadora da lavoura”, por todos sabida mas, pelas evidências, não pela maioria da classe política.