O favorecimento de pessoas fora do público alvo é tão perigoso quanto os flagrantes de venda ilegal. A população também precisa fazer sua parte denunciar.
O País está em estado de alerta com o aumento das notificações de gripe H1N1. Em Mato Grosso do Sul, são 373 casos, sendo 101 confirmados para a doença. A população, em pânico, promoveu corrida aos postos e clínicas de saúde e hoje convive com incerteza em encontrar a vacina à disposição. Além dos problemas de distribuição registrados em vários municípios, há ainda a venda ilegal e desvio de doses, comprometendo a imunização dos grupos de risco. O contrabando de medicamentos é grave problema no sistema de saúde, que exige a participação de outros órgãos do governo e entidades ligados ao consumidor no combate ao crime.
Desde o dia do lançamento da campanha de imunização contra a gripe, a falta de medicamentos foi verificada. Os órgãos de saúde, aparentemente, não esperavam grande procura e enviaram remessa menor do que a estimada. Isso porque já virou hábito a prorrogação de prazo da vacinação em decorrência da reduzida adesão da população, ficando abaixo da meta estipulada. NaCapital, a prefeitura acionou o Ministério Público Estadual para que o governo estadual forneça o medicamento Tamiflu. O Estado respondeu que o estoque nacional está reduzido, em razão da baixa produção por parte do único laboratório patenteado a produzir e distribuir o remédio. Porém, confirmou o envio das remessas e que a distribuição é de responsabilidade das gestões municipais. A discussão não produzir qualquer efeito positivo para a população; a troca de acusações parecer ser apenas uma forma de “lavar as mãos” sobre o problema.
Enquanto o debate inócuo continua, a população se desespera. Este ano, pelo menos, 20 pessoas já morreram em decorrência da doença desde janeiro em Mato Grosso do Sul. Em Rio Brilhante, duas escolas tiveram atividades canceladas depois da confirmação de dois alunos com vírus H1N1. Em Naviraí, são 36 notificações e, emapenas sete dias, quatro óbitos. A prefeitura recomendou a suspensão de aulas; os moradores recorreram a máscaras de proteção, luvas e álcool para evitar contaminação. Infelizmente, alguns chegam a falsificar laudos médicos, em busca de inclusão na lista prioritária dos grupos de risco. A procura por vacina estimulou o comércio ilegal e, na última sexta-feira, quatro pessoas foram presas pelo contrabando de doses do Paraguai para o município. Em Bela Vista, foi flagrado o comércio clandestino de 40 frascos do SUS.
A crise instalada não é responsabilidade apenas das gestões públicas. É necessário, claro, a intensificação da fiscalização para evitar a comercialização criminosa. Este combate exige estratégias que vão além da responsabilidade da Vigilância Sanitária. Porém, além da desorganização administrativa, há corrida desnecessária pela vacinação que pode prejudicar quem realmente precisa da imunização. O favorecimento de pessoas fora do público alvo é tão perigoso quanto os flagrantes de venda ilegal. A população também precisa fazer sua parte denunciar.