Os analistas econômicos concordam que Temer não conseguirá fazer milagres, mesmo que mantenha-se no cargo se o afastamento de Dilma Rousseff for consolidado.
O mercado aguarda com ansiedade o anúncio das medidas econômicas e fiscais a serem feitas pelo presidente interino da República, Michel Temer.
Inicialmente estava previsto para hoje, mas foi adiado para amanhã, para evitar futuras alterações no conteúdo a ser divulgado, segundo explicações do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.
O objetivo é ter plano estruturado e eficaz, que possa ser rapidamente aplicado. Se a intenção se concretizar, finalmente haverá ponto positivo para a nova administração que, até agora, não mostrou a que veio. A degradação da economia avança e os números divulgados não são nada promissores.
Na última semana, novamente, chamou atenção o volume de dívidas em atraso no País: R$ 239 milhões registradas em março de 2016, de acordo com dados do Serasa.
Deste total, 17,9% referem-se a débitos com água, luz e gás, demonstrativo de que o brasileiro ainda não conseguiu equilibrar-se e a inadimplência em itens básicos persiste.
Contas com bancos e cartões de crédito representam 27,2%, sendo os segmentos mais afetados no ranking. Os resultados estão diretamente ligados ao crescente número de desempregados no Brasil, que chega a 11,1 milhões no primeiro trimestre do ano, taxa de desocupação de 7,6% que pode chegar a 12% até o fim do primeiro semestre, avaliam economistas.
No cenário regional, 104 mil pessoas que perderam os empregos em Mato Grosso do Sul. No Estado, aumentou também a dispensa de profissionais com graduação, principalmente, administradores, índice elevado em 30%.
O governo estadual enfrenta o descontentamento de servidores que não aceitam o abono salarial de R$ 200,00, mas a administração sinalizou que o reivindicado pelas categorias inviabilizaria as contas públicas, levando o Estado a enfrentar dificuldades extremas.
Em Campo Grande, o cenário de crise não é diferente. Na edição de hoje do Correio do Estado, tem-se amostra de como de como conjunto de fatores pode ser nocivo: desde agosto, estão suspensos convênios para consignado que a Prefeitura tinha com duas instituições bancárias, o que inviabiliza qualquer tomada de crédito por parte dos servidores.
Além de afunilar as opções do funcionário em dificuldade para quitar suas dívidas, a medida atinge diretamente o mercado das financeiras, que totalizam queda de até 70% nas negociações. Os que não fazem parte funcionalismo público, enfrentam as especificidades dos bancos, que aumentaram o rigor para liberação do empréstimo.
Os analistas econômicos concordam que Temer não conseguirá fazer milagres, mesmo que mantenha-se no cargo se o afastamento de Dilma Rousseff for consolidado na votação final.
Também são unânimes em dizer que serão necessárias medidas enérgicas que, fatalmente, não agradarão a maioria, principalmente, às classes menos favorecidas. É o preço a se pagar para tentar minimizar os efeitos do rombo previsto de R$ 170,5 bilhões neste ano.
O governo Temer inseriu nas contas cenário mais desfavorável do que o calculado pela antecessora, incluindo até a renegociação das dívidas dos Estados com União.
Para conceder a benesse, exigiria contrapartidas dos governos estaduais, como resolver problemas com a Previdência dos estados, por exemplo. De um jeito ou de outro, ninguém escapa do que está por vir.