A política de segurança precisa ser revista e ampliada para que o trabalho tenha resultados efetivos e as apreensões não sejam apenas vitórias pontuais do policiamento.
O Brasil é a porta escancarada para passagem do contrabando e narcotráfico. São quase 17 mil quilômetros de fronteira com outros dez países da América do Sul, entre eles, os principais produtores de cocaína e maconha no mundo, além de fornecedores de armas. Se incluir, ainda, os rios de fronteira, vê-se a desproporcional luta travada hoje pelos agentes de fiscalização contra o crime organizado.
A política de segurança precisa ser revista e ampliada para que o trabalho tenha resultados efetivos e as apreensões não sejam apenas vitórias pontuais do policiamento.
A fragilidade no sistema de segurança brasileira é notória e ponto de preocupação dos organismos internacionais. Em 2014, relatório dos EUA sobre estratégias de controle de narcóticos avaliou que havia comprometimento do governo brasileiro em combater o aumento do tráfico de drogas, mas que as ações esbarravam na incapacidade de se controlar o fluxo de narcóticos pela fronteira. Internamente, essa inaptidão também foi documentada pelo Tribunal de Contas da Uniao, em 2015, apontando, ainda, o baixo grau de investimento e carência de pessoal para prevenção, controle e fiscalização aos crimes de fronteira. Para o TCU, isso caracterizaria “verdadeira omissão, parcial ou total, do Poder Público”.
Em todos os relatórios. Mato Grosso do Sul figura pela proximidade com Paraguai e Bolívia, os principais centros produtores. Não é para menos. Reportagem publicada na edição de sábado pelo Correio do Estado é amostra da facilidade da ação dos traficantes na região. No Estado, somente em maio - mês que ainda não terminou - foram, pelo menos, 40 toneladas de maconha apreendidas. Os carregamentos vieram de território paraguaio e seguiriam para os principais centros consumidores, como São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina. A polícia acredita que a proximidade das Olimpíadas também esteja fomentando o mercado, ávido pela expectativa de lucro milionário com os milhares de turistas que passarão pela capital fluminense. Se esta foi a carga apreendida, pode se ter uma ideia do passou pelas barreiras e chegou ao destino final, abastecendo os pontos de venda no país. A região é reconhecida por ser um dos principais corredores do crime, passando drogas, armas, munições, veículos roubados, produtos piratas e contrabandeados, além de servir de rota de fuga para bandidos que buscam refúgio nos países vizinhos.
Infelizmente, esperar pelo investimento maciço para incrementar o aparato de segurança não é alternativa viável. Um símbolo da falta de recursos no setor é a obra parada, há meses, do posto da Polícia Rodoviária Federal na BR-060, em Sidrolândia. Não há como esperar por vultuosos recursos que não virão tão cedo. As ações policiais poderiam ser unificadas e constantes, e não apenas eventos pontuais. A concentração de esforços das polícias e demais órgãos de segurança poderia surtir efeito maior e não ser apenas um incômodo momentâneo aos criminosos.