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Confira o editorial desta terça-feira: "A que ponto chegamos?"

Confira o editorial desta terça-feira: <br>"A que ponto chegamos?"

Redação

31/05/2016 - 03h00
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Em todo o País, há diversos exemplos de como o trabalho em sala de aula está se tornando uma atividade de alto risco.

Houve um tempo em que o professor era a autoridade máxima dentro da sala de aula, profissional respeitado pelos alunos. Infelizmente, hojevive-se outra realidade: os educadores trabalham em verdadeiro campo de guerra, em que presenciam casos de violência entre os alunos, depredação do patrimônio público e, pior, convivem diariamente com o temor pela própria integridade física. Isso explica o empenho da comunidade escolar no bairro Moreninha III, em Campo Grande para angariar fundos para aquisição de sistema de videomonitoramento. O ambiente vigiado é considerado melhor opção para a segurança.

   Pais, alunos e docentes esperam estar em ambiente de segurança dentro das escolas, mas não é o que acontece. Em todo o País, há diversos exemplos de como o trabalho em sala de aula está se tornando uma atividade de alto risco. Mato Grosso do Sul não foge às estatísticas. Em abril de 2012, o professor de Física de escola estadual no bairro Universitário, em Campo Grande foi esfaqueado nos braços e nas costas por adolescente de 16 anos. A agressão aconteceu somente porque foi pedido que a amiga do jovem, também estudante na instituição, entrasse na sala de aula. No mesmo ano, em junho, o diretor  Delmiro Salvione Bonin foi assassinado com quatro tiros, no pátio da escola municipal em que trabalhava, em Nova Andradina. O autor era aluno de 16 anos. Entre os estudantes, também há casos de violência, como o ocorrido em 2013, na escola estadual José Ferreira Barbosa, na Vila Bordon, na Capital. A estudante Luana Vieira Gregório, de 15 anos, foi morta a facadas por colega de sala, de 16 anos. A motivação fútil teria sido a borrifação de perfume, o que teria desagradado a “amiga”. 

    Casos chocantes, mas que são resultado extremo de realidade de violência e conflitos vividos nas instituições de ensino. Existem diversos fatores para  este cenário deprimente, teorias que levam a amplo debate sobre condições sociais e econômicas das famílias brasileiras, participação de pais na educação e o papel dos professores no desenvolvimento do aluno. Enquanto a discussão não for na raiz dos problemas, medidas paliativas são tomadas para se evitar o pior. O videomonitoramento já foi implantando em Campo Grande em escola no bairro Rouxinóis, iniciativa de pais e docentes. Agora, o sistema será instalado, graças a convênio firmado pela Secretaria Estadual de Educação e escola Sebastiana Santana de Oliveira, no José Abrão, intermediado pela Associação de Pais e Mestres, que garantiu recurso via emenda parlamentar. Na Moreninha III, estão sendo organizada festa junina e bazar para arrecadar fundos com a mesma finalidade. Além de coibir os casos de furtos e roubos nas instituições, o objetivo também é estabelecer a disciplina interna, evitando a ocorrência de casos de violência entre alunos e contra os servidores. A vigilância tem objetivo de evitar o mal maior. A punição estabelece a ordem pelo medo do flagrante, “disciplinando” os transgressores apenas pelo temor. 

Escolas tornam-se prisões para docentes e alunos. Aparentemente, um caminho sem volta. 
 

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