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CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta sexta-feira: "Devoluções pendentes"

Confira o editorial desta sexta-feira: "Devoluções pendentes"

Redação

03/06/2016 - 03h00
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Contabilizam-se, ao final, milhões que ainda terão de ser pagos pelos contribuintes por meio de impostos, mas já encheram o bolso dos corruptos.

Os sul-mato-grossenses foram duplamente prejudicados pelas irregularidades cometidas pela quadrilha presa na segunda fase da Operação Lama Asfáltica. Primeiro,pela péssima qualidade do asfalto das rodovias estaduais, que precisará ser totalmente refeito menos de quatro anos depois da inauguração. Isso porque, pelo apurado nas investigações, as empreiteiras estavam mais preocupadas em desfalcar os cofres públicos do que executar um trabalho bem feito. Segundo, pelos milhões que poderiam ter sido economizados e, assim, destinados para outros investimentos. Neste contexto, nada mais justo que os envolvidos tenham de ressarcir os cofres públicos, algo que será cobrado, conforme anunciado pelo  governador Reinaldo Azambuja.

A atual gestão montou equipe específica para acompanhar os problemas em obras executadas no governo anterior e, assim, tentar descobrir quanto de recurso foi desviado. Na segunda fase da operação, foram identificados prejuízos de R$ 43 milhões referentes a contratos de R$ 195 milhões já analisados. Entretanto, ainda há total de R$ 2 bilhões em obras executadas a serem avaliados pelas equipes de investigadores. Não se sabe, até agora, quanta sujeira ainda poderá estar encoberta nesse “mar de lama”. Será necessária a conclusão de todos os cálculos. Os imóveis dos envolvidos, principalmente as fazendas que custaram milhões, demonstram a quantidade de recursos movimentados pelo grupo que transformou a Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul) em centro da corrupção.

Essa discrepância entre os bens adquiridos e a renda obtida foi justamente o que motivou a Fazenda de Lama, que desmascarou os esquemas usados para tentar encobrir o rastro da origem ilícita dos recursos. A lavagem de dinheiro envolvia familiares, que também acabaram detidos. O empresário João Amorim, dono da Proteco (que recebia maior parte dos contratos do Governo), construiu “império” de ao menos 15 fazendas com o dinheiro desviado das obras superfaturadas, amparadas no pagamento de propina. Várias transações de empréstimos entre familiares eram simuladas para tentar encobrir as irregularidades.

Empreiteiras - que viram o cerco fechando-se com as prisões de 15 pessoas na Fazendas de Lama - mostraram-se dispostas a refazer os trabalhos de pavimentação nas rodovias, que já estão repletas de buracos. Na última semana, o Correio do Estado mostrou os buracos e até remendos que já estão esfarelando em trechos de ao menos quatro estradas. As obras foram concluídas há menos de quatro anos, mas pelas péssimas condições das vias parecem ter sido concluídas há décadas. Algumas vias, foram executadas com dinheiro de empréstimo, obtido junto ao BNDES, a exemplo da MS-040, que liga Campo Grande a Santa Rita do Pardo. Contabilizam-se, ao final, milhões que ainda terão de ser pagos pelos contribuintes por meio de impostos, mas já encheram o bolso dos corruptos. Nada mais justo, portanto, que o Estado exija o ressarcimento e cobre também pela qualidade das obras que foram pagas pelos sul-mato-grossenses. Sabe-se que o resultado não será imedito, mas a cobrança deve ser permanente para assegurar que, mesmo com alguns anos de atraso, o cidadão tenha seu dinheiro devolvido. Há uma dívida com a Justiça, que começa a ser paga com as prisões, mas acima de tudo permanece a pendência com toda população.  

 

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