Planejamentos para retomar o desenvolvimento e definir investimentos precisam incluir o meio ambiente em pauta. Caso contrário, os debates tornam-se inócuos.
Neste momento, em reflexões sobre o futuro do Brasil, infere-se, imediatamente, as perspectivas para escaparmos do desastre econômico ou o combate aos casos de corrupção, considerando os fatores que levaram ao processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff e ao colapso financeiro do País, com 11,4 milhões de desempregados. Há urgência em propor soluções para acabar com essa série de problemas. Entretanto, a iminência de resolver tais questões não pode levar à negligência com outros debates fundamentais. Infelizmente, hoje, as preocupações com meio ambiente não ganham a dimensão que merecem na pauta de discussões dos políticos, mesmo estando intrisicamente relacionadas a qualquer planejamento acerca de futuro.
Muitos alertas acabam sendo ignoradas e providências tomadas depois que estragos já aconteceram. Acompanhamos diversos dramas relacionados à falta de planejamento para preservação ambiental. No ano passado, moradores de São Paulo passaram dias difíceis sem água, tendo de apelar a plano de rodízio. O volume útil do Sistema Cantareira, que atende 8,8 milhões de pessoas, esgotou-se. A culpa da crise hídrica não pode ser atribuída apenas a São Pedro, pela ausência de chuvas. O crescimento da cidade não acompanhou os investimentos que precisariam ter sido feitos para atender a todos os moradores. A população gastava mais que o necessário e a conscientização para economizar água ocorreu tarde demais. A dificuldade de quem morava em São Paulo e viu sua rotina ser transformada pela escassez de água serviu para reflexão de todos os brasileiros e demonstra como as preocupações são tardias.
Há enorme lista de negligências espalhadas pelo País. São vários os rios poluídos, desmatamento irregular e, recentemente, tivemos a tragédia ocasionada pelo rompimento da barragem em Mariana, Minas Gerais, resultando na morte de 19 pessoas. Demonstrações claras que há muito ainda a ser fiscalizado, cobrado e corrigido. Hoje, no Dia Mundial do Meio Ambiente, o Correio do Estado destaca em reportagem ações que estão sendo feitas para tentar preservar as belezas naturais de Bonito, que atraem turistas de todos os países a Mato Grosso do Sul. Nos últimos 20 dias, policiais militares ambientais autuaram proprietários de três fazendas por crimes ambientais, aplicando multas que somadas chegam a R$ 16 milhões. Numa das propriedades, existiam drenos irregulares, prejudicando o Rio da Prata. Agora, está em foco a criação de Unidades de Conservação, formando Refúgios da Vida Silvestre. Espera-se que tais planos deixem o patamar dos debates para agregar verdadeiras transformações que possam assegurar a preservação desse patrimônio natural.
Há, sim, de se corrigir os equívocos econômicos que tanto castigam atualmente os brasileiros. Entretanto, o planejamento para retomar o desenvolvimento e definir os investimentos precisam incluir o meio ambiente em pauta. Caso contrário, os debates acerca de futuro tornam-se inócuos. Os gestores precisam se preocupar com essas questões. Se o descaso permanecer, estaremos sujeitos a sofrer as consequências, apelando a soluções tardias e paliativas, com punições que surtem poucos resultados.