Artigos e Opinião

OPINIÃO

Cezar Benevides: "História do Futuro"

Professor aposentado da UFMS

Redação

08/06/2016 - 01h00
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Li, com entusiasmo, o interessante livro História do Futuro escrito pela jornalista Miriam Leitão. Imaginei que é muito razoável para um historiador do futuro deduzir que a crise atual teria sido necessária para conter a gastança dos países considerados emergentes. Lembro de que quando visitei a Harvard University, conversei com colegas e fiquei sabendo que nos Estados Unidos, o superávit orçamentário da União é obrigatório por acordo entre partidos de oposição e situação, e nos estados, com raríssima exceção, o déficit é proibido por lei. Antes estivera na Alemanha em um congresso internacional na Universidade de Halle. Aprendi que os países que adotaram o euro tiveram de concordar com as normas fiscais fixadas. A Grécia, por resistir, acabou pagando um preço muito alto.

A classe política que permitiu no Brasil esconder o rombo provocado pela voracidade de interesses escusos nas contas da União, Estados e Municípios, está finalmente face a face com a nossa preocupante e triste realidade.

Como os organismos financeiros internacionais seguem rigorosamente normas de cautela e orientam as suas operações por padrões técnicos equivalentes, chegamos na encruzilhada entre avançar e recuar.

Estamos vivendo um momento crucial de nossa história republicana. A importância do plano do Visconde de Ouro Preto, que contrasta com o plano de Rui Barbosa, foi ignorado e sobreveio o “encilhamento” ou “jogo da bolsa” e empregos de todo o gênero. São páginas que merecem ainda hoje atenta leitura. Os defensores de Ouro Preto distinguiam os nossos costumes em 1889 e depois daquela data. A uma relativa seriedade nos negócios políticos e de administração adicionavam a probidade nos negócios comerciais e crédito extraordinário de que gozava o Brasil nas praças estrangeiras. Ninguém corria atrás de aventuras e o jogo não tinha a força avassaladora que hoje apresenta e vem concorrendo para a ruína do país.

Entendi lendo História do Futuro que o senso de responsabilidade pública é a razão de ser a lei de responsabilidade fiscal. Trata-se de regra de ouro para o saneamento das finanças públicas e também para corrigir os antigos vícios administrativos em nosso país. Nada mais saudável que a lisura nas contas públicas. Vamos ver o que vai acontecer neste teste de fogo do governo interino do Sr. Michel Temer.

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