Atualmente, diante dos atos de violência que vivenciamos na sociedade, percebemos que o mundo não consegue solucionar um problema crônico que afeta a todos: a sensação de insegurança. Seja qual for a classe social, etnia, gênero ou qualquer outra forma de classificação dos indivíduos componentes de uma sociedade, todos já depararam com um ato de um ou mais indivíduos que, de alguma forma, tentaram lesionar seu patrimônio, sua honra, dignidade ou a própria vida, bem maior do ser humano no Estado Democrático de Direito.
Dessa forma, aproveitando-se desse problema social que dia a dia amplia negativamente seus efeitos, “empreendedores” da crise investem e apostam na fragilidade do Estado contemporâneo, omisso, frágil – e com diversos outros problemas pontuais que se recusa a solucionar. O medo, a violência e a sensação de insegurança tornaram-se assuntos do cotidiano, naturalizando-se: onde anteriormente havia indignação, hoje prevalece a indiferença.
Chegamos ao ponto de construir, cada um, uma fortaleza para se chamar de lar: desconhecemos os vizinhos e, por mais absurdo que pareça, ficamos dando voltas no quarteirão para nos certificarmos de que é seguro entrar em casa. Blindamos nossas relações pessoais e monitoramos nossos passos.
Em suma, ninguém vive com medo de deixar de viver; nosso mundo se restringe em cercas elétricas e muros altos. Desenvolvemos o medo ou deixaram ele se desenvolver em nós? Insegurança realmente é passível de ser comercializada? Basta nos voltarmos ao noticiário semanal, e observaremos que notícias sobre violência são aquelas que mais impactam, chocam ou instigam a indignação pessoal dos telespectadores.
O medo exerce tanto impacto em nossa vida que alguns menos escrupulosos utilizam-se dele como forma de angariar votos. Basta voltarmos nossa atenção às propostas conservadoras de Donald Trump na corrida presidencial americana. Sim, estamos falando de um país que está no topo do desenvolvimento econômico, porém, em face de tantos ataques terroristas, ainda receoso com a entrada de imigrantes em seu território.
Como deixamos o capitalismo lastrear sua vontade a ponto de comercializar o que sentimos? Como combater isso? O que será de nós?