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Correio do Estado

Editorial desta terça-feira: Displicência repetida

Editorial desta terça-feira: <br>Displicência repetida

Redação

14/06/2016 - 03h00
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De nada adianta ampliar as atribuições dos guardas se não há efetivo suficiente para manter o monitoramento em postos de saúde, creches, escolas, etc.

Erros repetidos por pura negligência! Falhas que voltam a causar prejuízos à população. Mesmo depois do episódio de invasão e destruição em Centros de Educação Infantil (Ceinfs) e em escola de Campo Grande, em abril deste ano, a prefeitura não aprendeu a lição e deixou prédios públicos sem vigilância. Ontem, Unidade Básica de Saúde Familiar foi invadida por vândalos, os quais depredaram o local, quebraram frascos de vacina e deixaram refrigerador aberto, comprometendo a qualidade de outras diversas doses. Infelizmente, o local estava sem guarda municipal, que tem a função de zelar pelo patrimônio público. Mesma displicência durante o crime cometido há menos de dois meses.

A população volta a ser prejudicada. Afinal, os materiais destruídos são adquiridos com dinheiro público. Considerando-se a questão das vacinas, há ainda mais agravantes. Podem ter sido danificadas as poucas doses restantes de vacina contra a gripe, provavelmente separadas para a segunda dose em bebês, além de várias unidades da BCG. Por mais que haja envio de nova remessa pelo Ministério da Saúde, há de se considerar o prejuízo anterior ocasionado por outra negligência da administração municipal: a falta de controle na campanha fez com que várias doses desaparecessem, deixando muitas pessoas dos grupos de risco excluídas da imunização. Há suspeitas de favorecimento e até de venda das vacinas desviadas, fatos que estão sendo apurados por CPI da Câmara Municipal e pela Polícia Civil. 

O problema da falta de vigilância nos prédios públicos constitui-se em mais uma desorganização da atual gestão. De nada adianta ampliar as atribuições dos guardas – que passam a fazer rondas nas ruas ou fiscalização no trânsito – se não há efetivo suficiente para manter o monitoramento em postos de saúde, creches, escolas e outras repartições. Certamente, ocorre grave falha nessa estratégia, que inclui até capacitação e armamento dos profissionais. Fazendo analogia com ditado popular: “Descobre-se um santo para cobrir outro”; ou seja, na tentativa de arrumar solução, cria-se novo problema. Seria necessário estabelecer parceria com a Secretaria de Segurança Pública, para reforçar o policiamento nas regiões da cidade consideradas mais críticas, mas há graves entraves para estabelecer diálogos com o prefeito Alcides Bernal, a exemplo do que acontece na falta de respostas ao governo do Estado, que já se dispôs a auxiliar no recapeamento de ruas.

Espera-se que, desta vez, Bernal não volte a supor que a invasão foi orquestrada por inimigos políticos, hipóteses já levantadas por ele durante os vandalismos ocorridos em abril. Ao falar da quantidade de buracos na cidade, chegou até mesmo a supor que inimigos estariam provocando os estragos no asfalto durante as madrugadas. Insiste-se para que a prefeitura reconheça suas falhas e esforce-se para corrigi-las, sem inventar desculpas descabidas. A Polícia Civil também precisa fazer sua parte, buscando os responsáveis por esse último ataque e também pelos crimes cometidos em abril. A sensação de impunidade não pode prevalecer, sob risco de vermos novamente essas cenas lamentáveis se repetirem. Infelizmente, a inércia e a negligência contribuíram para mais esse prejuízo aos campo-grandenses. 

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