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OPINIÃO

Rafael Britto: "Otimismo e esperança Brasil!"

Advogado

Redação

15/06/2016 - 01h00
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O que o governo Barack Obama tem a ver com a atual situação política-econômica atravessada pela República Brasileira? Talvez a primeira resposta seja “nada”. Porém vale lembrar que em um passado não muito distante, mais precisamente no ano de 2008, os Estados Unidos da América enfrentaram um período extremamente difícil, talvez um dos piores de sua história econômica, atrás apenas da Grande Depressão do início da década de 1930. 

Naquela época as instituições financeiras americanas confiaram de modo excessivo em clientes que não tinham bom histórico de pagamento de dívidas. Esse tipo de financiamento, de alto risco, é chamado de “subprime”, que pode ser traduzido como “de segunda linha”. Com as taxas de juros pós-fixadas, isto é, determinadas no momento do pagamento das dívidas e com a disparada dos juros norte americanos, muitos clientes acabaram por ficar inadimplentes. E a maioria dos clientes davam como garantias hipotecárias suas casas, mas com a queda significativa dos preços no mercado imobiliário, os valores das garantias foram reduzidos. Por sua vez os bancos, com medo, dificultavam novos empréstimos e optaram por revender esses papeis hipotecários a outras instituições que consequentemente, também acabaram sofrendo perdas.

A crise assustou os Estados Unidos e o mundo em 2008 com a quebra do famoso banco americano Lehman Brothers, bem como pela falência técnica da maior empresa seguradora da américa, a American International Group (AIG), e somado a isso o país estava em guerra e muitos soldados americanos lutavam no Iraque.

Nesse complicado cenário, Barack Hussein Obama, de 47 anos, nascido no Havaí, pai de duas filhas, graduado em direito e em ciências políticas, batia o candidato republicano John McCain e se tornava o 44º presidente dos Estados Unidos da América, e o primeiro afro-americano a ocupar a cadeira presidencial mais importante do mundo. Com a eleição de Obama, uma onda de otimismo se instalou no país, e na época o jornal britânico Daily Mail, chegou a publicar pesquisa que apontava que 80% dos americanos estavam esperançosos quanto aos próximos quatro anos e 63% achavam-se confiantes de que sua situação financeira pessoal melhoraria.

Mas como uma pessoa poderia inspirar tantas outras a se tornarem esperançosas e otimistas com relação ao futuro? A escritora Tali Sharot, Ph.D. em psicologia e neurociência, afirma em seu livro “O viés otimista”, que é durante épocas difíceis que as pessoas recorrem mais ao otimismo, quando a coisa fica feia, o ser humano começa a buscar desesperadamente um lado positivo, e foi justamente o que ofereceu Barack Obama, logo em seu discurso de posse: “O caminho que temos diante de nós será longo. Nossa escalada será íngreme. Podemos não chegar lá em um ano, talvez nem em um mandato, mas os Estados Unidos – nunca tive tanta esperança quanto tenho hoje de que vamos chegar lá (...) – podem mudar. Nossa união pode ser aperfeiçoada. E o que já conquistamos nos dá esperança para o que podemos e devemos conquistar amanhã”, que se popularizou com o jargão mundialmente conhecido “Yes, we can”.

Obviamente, a saída da crise e a retomada do crescimento americano não são frutos apenas de otimismo e esperança e sim de muito trabalho e da incrível habilidade política e econômica de Obama e sua qualificadíssima equipe, que traçaram projetos e manobraram recursos públicos, bem como capital estrangeiro para solucionar os problemas de maneira brilhante. Contudo, estudos demonstram que o chamado viés otimista, ajuda o individuo a manter o foco, pois o comportamento das pessoas é determinado por sua percepção subjetiva da realidade e não pela realidade objetiva. Assim, acreditar em um resultado positivo aumenta a probabilidade de que realmente se concretize.

Do lado de cá, a crise política advinda dos desdobramentos da operação Lava-Jato, do processo de impedimento da já afastada presidenta Dilma Rousseff e do novo e ainda interino governo Temer, é agravada pelo caos econômico. Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Brasil está mergulhado em uma recessão profunda, caracterizada pelo aumento das dívidas públicas, a inflação na casa dos dois dígitos, o crescimento da taxa de desemprego, e uma previsão de queda no PIB pelo segundo ano consecutivo – algo que nunca aconteceu na economia brasileira desde que o IBGE iniciou a verificação em 1948.

A missão do presidente interino do Brasil, Michel Temer parece se assemelhar à enfrentada pelo primeiro presidente afrodescendente dos Estados Unidos – que fique claro, não se compara aqui as qualidades ou defeitos de cada um deles – contudo, certo é que para que o país retorne aos trilhos, além de muita competência dos administradores públicos, será preciso otimismo e esperança Brasil!

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