Qual o sentimento que prevalece nesta chegada de inverno? O de que os males que atacavam o povo eram sentidos, mas não tinham sido ainda calculados.
A operação Lava Jato fez a contabilidade pública de nossa desgraça. Mais de onze milhões de desempregados revelam o tamanho do flagelo. Parece que o mundo político vem se tornando mais desumano e isso é muito triste.
Se os poderes não tiverem sensibilidade para aprovar um plano capaz de restabelecer a ordem econômica até 2018, a confiança dos principais agentes não será reconquistada. Se isso não ocorrer desaparece a esperança.
Devemos voltar a humanizar a política, alterando a ordem de nossas prioridades. Até o momento tem sido dada importância ao poder sem ética, mas isso é falso e tem gerado muitas guerras e conflitos.
Tenho lembrado muito da Revolução Francesa. No começo tudo estava muito calmo. Entre a Assembleia Constituinte e o Te-Deum, no qual o presidente da Assembleia se ajoelhou ao lado do rei Luis XVI, tudo transcorreu dentro da legalidade.
Inesperadamente sobreveio o dilúvio, com as massas enlouquecidas pelas ruas de Paris, dirigidas por uma escória irresponsável e atropelando o controle policial. Toda aquela desordem e anarquia tiveram origem no passado de injustiças e desigualdades. Nenhum historiador consciencioso justificou o terror em seus excessos.
Reencontramos aqui a sombra de um sistema político desgastado. É preciso compreendê-la a partir do combate contra a impostura e a mentira deliberada.
Tais forças instalaram a desordem na economia brasileira, que estava aos poucos sendo estruturada. O nível de vida do povo ainda é muito baixo. Por outro lado, a política parece ser o exercício de gangsters.
A história está em marcha mais uma vez. Os acontecimentos são de difícil compreensão para pessoas formadas no século XX, como é o meu caso. Contudo o falso mundo criado pelos intelectuais do PT está morto. Não é possível um acordo com os que se negaram a assinar a Constituição de 1988.
O Brasil não está imune à possibilidade de infringir a si mesmo uma catástrofe como a que atingiu, por exemplo, a Venezuela. O historiador olha para frente e para trás.
Mas não podemos desviar os nossos olhos do futuro. Que em 2018 possamos comemorar trinta anos de nossa Constituição Cidadã. Para que o estado democrático de direito possa sobreviver temos obrigatoriamente que nos apegar a ela.