Falta de previsibilidade e, novamente, de planejamento, com mais um desperdício que entra para a conta do contribuinte
A tecnologia aliada à segurança. Milhões são investidos em projetos anunciados como revolucionários no combate ao crime; mas, pouco tempo depois, tais investimentos tornam-se nulos porque os aparatos não são devidamente aproveitados para alcançar resultados esperados. Tivemos, em Mato Grosso do Sul, dois exemplos recentes de iniciativas que fracassaram. Primeiro, com os scanners para fiscalização nas estradas da fronteira, raramente utilizados. Agora, com o sistema de videomonitoramento na região central de Campo Grande. As câmeras não recebem manutenção e não há guardas suficientes para atender a ocorrência, caso algum flagrante seja captado.
Reportagem na edição de hoje do Correio do Estado mostra a frustração de comerciantes e pessoas que trabalham diariamente no centro da Capital, com a ineficiência do sistema de câmeras. O investimento chegou a quase R$ 2 milhões. Mesmo assim, depois de um ano, os resultados são considerados pífios, quase nada foi alterado na rotina de quem esperava contar com mais tranquilidade no cotidiano. De nada adianta instalar câmeras, investir em novas viaturas e fazer até curso voltado para os guardas, mas deslocá-los a outras atribuições, esquecendo-se do propósito inicial. Dinheiro público jogado fora por pura falta de planejamento e organização.
Há, inclusive, enorme confusão em relação aos guardas municipais. Eles passaram a, na teoria, cuidar dos prédios públicos, aplicar multas de trânsito e fazer patrulhamento nas ruas. Na prática, porém, o efetivo é insuficiente para atender todas essas atribuições e a administração municipal não consegue executar nenhum desses serviços de forma satisfatória. Recentemente, tivemos Centros de Educação Infantil (Ceinfs), escolas e postos de saúde invadidos por vândalos durante os fins de semana, justamente porque essas unidades estavam sem fiscalização dos guardas. Se não houver foco definido, continuaremos a ter uma série de serviços incompletos e a insegurança tenderá a prosseguir vencendo a batalha.
Essas deficiências ficam ainda mais evidentes em relação ao monitoramento que deveria ser feito nas rodovias de Mato Grosso do Sul, com utilização do scanner (equipamento de raios X que permite visualizar o interior dos veículos). O equipamento móvel, que custou R$ 1,5 milhão e seria importante aliado no combate ao tráfico de armas, drogas ou contrabando, raramente é utilizado pela Polícia Rodoviária Federal. Somente depois que o valor já tinha sido investido descobriram as dificuldades decorrentes do alto custo de manutenção ou da necessidade de mão de obra capacitada para operá-lo. Falta de previsibilidade e, novamente, de planejamento, com mais um desperdício que entra para a conta do contribuinte.
Hoje, temos situação extremamente preocupante na fronteira, com guerra de facções criminosas que tentam controlar o tráfico no Paraguai, gerando sérios riscos de que as remessas de entorpecentes enviadas ao Brasil sejam ainda maiores. A segurança pública vem perdendo a batalha contra a criminalidade, mas continua a negligenciar o uso da tecnologia como aliada.