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Correio do Estado

Editorial desta segunda-feira: Batalha invencível

Editorial desta segunda-feira: <br>Batalha invencível

Redação

27/06/2016 - 03h00
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Enquanto as facções criminosas unem-se, os gestores dividem-se nas ações para combater o tráfico de armas e drogas

Com extrema preocupação, acompanhamos a “guerra” iniciada neste mês por facções criminosas que desejam dominar o tráfico de drogas e armas no Paraguai, assumindo controle da fronteira com o Brasil, em Mato Grosso do Sul, por onde chegam as remessas que abastecem praticamente todo País. Há anos a cobrança para que a fiscalização seja aprimorada é negligenciada. Esse “permissionismo”, decorrente principalmente do descaso da União, contribuiu para os bandidos considerados mais perigosos do País sentirem-se os donos do crime na região, trasformando a ilegalidade em negócio rentável. Impossível para o cidadão tentar distanciar-se dessa realidade. Afinal, as ações dessas organizações refletem na insegurança dentro da cidade, cada vez que abastecem quadrilhas com novas armas ou destroem vidas ao alimentarem a dependência pelos entorpecentes. 

Essas “guerras” não se limitam à região fronteiriça. Elas multiplicam-se em batalhas que alcançam todo País. Chegam aos bairros, onde traficantes matam e impõe a rotina do medo aos moradores para tentar dominar a venda de drogas e não serem incomodados pela polícia. Somente a facção Primeiro Comando da Capital (PCC) conta com três mil criminosos dentro dos presídios de Mato Grosso do Sul, como revelou o juiz federal Odilon de Oliveira, conhecido por ter condenado grandes traficantes. O fato de estarem atrás das grades, porém, não impede que eles continuem atuando. Sabe-se que as facções contam com “soldados” do lado de fora, cometendo crimes para conseguir manter as finanças da organização.

Constantemente, acompanhamos casos em que assaltantes são presos atuando a mando de presos. Para tentar inibir essas ordens, tentou-se instalar bloqueadores de sinal de celular na Penitenciária de Segurança Máxima, mas, até agora, as ações não surtiram efeito. 

Há uma semana, a Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública enviou policiais do BOPE para a região de Ponta Porã, diante do clima de insegurança instalado depois da execução do barão do tráfico Jorge Raafat e de outras três mortes durante tiroteio no último domingo. Assim, a vigilância que poderia ser ampliada dentro das cidades acaba sendo utilizada para suprir essa “lacuna” na fronteira. O Governo Federal mantém a mesma postura de negligência, agindo como se a disputa das facções não fosse seu problema. A fiscalização mais eficiente poderia resultar em economia e, inclusive, está atrelada a boa estratégia de gestão. Infelizmente, hoje parece mais fácil delegar a responsabilidade aos governadores que continuam “enxugando gelo” para evitar assaltos, tráfico de drogas e assassinatos, numa luta invencível. 

Enquanto as facções criminosas unem-se, os gestores dividem-se nas ações para combater o tráfico de armas e drogas. Fica claro, portanto, quem terá mais dificuldades para vencer essa guerra. Infelizmente, o peso maior dessa ineficiência recai sobre o brasileiro, que continua a conviver com a insegurança em sua rotina. 

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