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Gilberto Robalinho da Silva: <br>Estupidez

Gilberto Robalinho da Silva é cidadão brasileiro, procurador de Justiça

Redação

27/06/2016 - 01h00
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Essa é a expressão que melhor define a iniciativa dos integrantes do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos do Rio 2016 ao permitirem a participação de uma onça-pintada, presa a uma corrente de ferro, segurada por dois militares do Exército Brasileiro, no evento de passagem da Tocha Olímpica pela cidade de Manaus, no Estado do Amazonas.

Conforme noticiado pela imprensa nacional, a onça mascote do Comando Militar da Amazônia, de nome “Juma”, foi morta com um tiro de pistola após ter participado da cerimônia de passagem do símbolo da paz e da união entre os povos, pela Capital amazonense, após ter escapado e avançado sobre um soldado.

Dentre todas as imbecilidades praticadas nos preparativos do grande evento mundial, a ser realizado na cidade do Rio de Janeiro, talvez essa tenha sido a de maior repercussão e preocupação, à exceção, é claro, da malversação do dinheiro público.

O destino trágico de “Juma” chama a atenção para a situação cada vez mais precária da espécie, por várias razões, dentre as quais, a figuração da espécie em lista de animais ameaçados de extinção no Brasil pelo Ibama, desde o ano de 2003.

Porque se trata de um animal selvagem que, submetido a contato com muitas pessoas, barulhos e em condições adversas àquelas vividas no seu habitat natural ou no cativeiro, é acometido de estresse.
Porque não existe qualquer relação entre animais selvagens e seres humanos participantes de um evento esportivo da envergadura de uma Olimpíada.

Fossem insuficientes os constantes abates de onças-pintadas por pessoas insensíveis à necessidade de preservação dos animais silvestres, para contribuir com a sua extinção, o mundo toma conhecimento da estupidez dos responsáveis pelo ato insano de retirar um animal selvagem do cativeiro (ou do seu habitat) e permitir a participação numa solenidade de passagem da Tocha Olímpica, onde se encontravam milhares de pessoas, concorrendo para a morte de mais um exemplar de onça-pintada.

Como maior felino das Américas e pertencente à espécie ameaçada de extinção no território brasileiro, a onça-pintada deveria ser preservada e poupada dessas aparições na presença de multidões. 

O erro incorrido pelo Exército Brasileiro e pelos dirigentes do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos do Rio 2016 é indesculpável. O triste episódio revela o despreparo dos militares no trato com o animal e a insensatez das autoridades brasileiras envolvidas.

O episódio foi tema de noticiário internacional, negativo, compelindo moralmente o Comitê Organizador dos Jogos do Rio 2016 a se pronunciar e emitir nota reconhecendo que errou “...ao permitir que a Tocha Olímpica, símbolo da paz e da união entre os povos, fosse exibida ao lado de um animal selvagem acorrentado”.

Se mesmo admitindo que o fato “contraria as crenças e valores” da organização, os responsáveis pelo episódio permitiram a exibição do animal, imagine o leitor se fossem favoráveis.

É curial que o cidadão se conscientize de que “todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações” (artigo 225 da Constituição Federal). 

Enquanto no Estado de Mato Grosso do Sul projetos visam a proteger e salvar a onça-pintada de extinção, a exemplo do “Onça Pantaneira”, no Amazonas, representantes do Exército Brasileiro e Organizadores dos Jogos Olímpicos do Rio 2016 expõem um exemplar ao público e ao mundo, acorrentado, para, em seguida, ser sacrificado em circunstâncias que merecem uma investigação aprofundada e séria, notadamente, por parte dos órgãos ambientais.

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