Sediar as Olimpíadas Rio 2016, definitivamente não foi, não está sendo e não será um bom negócio para o Brasil.
A grande desculpa inventada por seus promotores foi a de que o Brasil entraria para um seleto grupo de países “produtores” de atletas campeões e que o evento deixaria um legado para a cidade do Rio de Janeiro e para o Brasil.
Para a “fabricação” desses campeões já fracassamos. Esse é um tipo de projeto que leva anos de dedicação e trabalho sério para se concretizar.
Mal temos pistas de atletismo nas capitais brasileiras. Não há um trabalho com metas definidas capaz de proporcionar a captação e preparação de atletas no território nacional. Não é planejada a formação e manutenção de equipes com técnicos para desenvolver esse trabalho.
Não temos centros de excelência para esses treinamentos. Formamos todos os anos milhares de profissionais em Educação Física e não há um programa de aproveitamento desses jovens profissionais.
No aspecto pedagógico, há mais crianças interessadas e ocupando seus anos maravilhosos de infância com distrações eletrônicas, do que praticando alguma atividade física (inclui-se aí qualquer movimento corporal além de movimentar os dedos e mexer com os olhos).
Quanto ao legado que os Jogos Olímpicos poderão deixar, já temos o péssimo exemplo da Copa do Mundo, de obras inacabadas, dinheiro público desviado e endividamento.
A quebra da Grécia também foi um legado de suas Olimpíadas em 2004. Por aqui, o País quebrou antes dos Jogos e suas obras mostraram erros estruturais, de planejamento e de caráter das pessoas que lidam com a coisa pública.
Problemas de falta de segurança, da precariedade na saúde e calote nos aposentados colocam o Rio de Janeiro como um retrato do que ocorre no resto do País.
O Estado Islâmico também mandou seu recado e não há garantias de segurança em meio ao caos provocado no Rio pelo abandono do Estado (aparato federal e estadual) sobre seus governados.
A passagem da tocha olímpica coroa o espetáculo do ridículo em que estamos metidos. Para salvar nossa dignidade, alguns cidadãos tentam apagar a tocha, jogando água, e mais recentemente, até um extintor foi usado.
Esse extintor possivelmente é sobra daquela lei que obrigou os proprietários de veículos a trocarem seus equipamentos e que depois foi revogada.
Sobre o que você leu até aqui, mostra um texto muito pessimista? Não poderia ser diferente. O povo só foi pensado e está sendo tratado para as Olimpíadas como mera peça necessária para um jogo de interesses próprios, mais ou menos como Cazuza já cantou: “Não me convidaram, Pra essa festa pobre, Que os homens armaram pra me convencer, A pagar sem ver, Toda essa droga, Que já vem malhada, Antes de eu nascer”.