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CORREIO DO ESTADO

Editorial deste domingo: "Saindo dos gabinetes"

Editorial deste domingo: "Saindo dos gabinetes"

Redação

03/07/2016 - 03h00
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O novo “núcleo” precisará sair da fase de planejamento e partir para ação, caso o real objetivo seja mesmo tirar o controle das mãos dos traficantes.

Depois de muita cobrança e anos de descaso, os primeiros passos para as ações conjuntas de reforço à fiscalização na fronteira estão sendo dados.

Infelizmente, continuam insuficientes e lentos se comparados ao avanço das organizações criminosas. Na sexta-feira, secretários de segurança de quatro estados (Mato Grosso do Sul, Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro) reuniram-se com o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes.

Ficou definida a criação de núcleo de inteligência formado pelas forças de segurança dessas unidades da federação, além das polícias Federal e Rodoviária Federal, para levantar informações e iniciar operações integradas nas faixas fronteiriças.  

Espera-se que tais metas não se tornem falácia e sirvam, de fato, para iniciar as providências que há anos estão sendo proteladas. Afinal, não restam dúvidas acerca dos prejuízos ocasionados a todo País porque Mato Grosso do Sul continua sendo a principal “porta de entrada” para traficantes que buscam cocaína e maconha da Bolívia e Paraguai.  

Foi necessário que traficantes de facções criminosas brasileiras iniciassem “guerra” no Paraguai, visando assumir o controle da venda de drogas e armas, para que providências fossem tomadas.

No último mês, o barão do tráfico Jorge Raafat foi executado em Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia que faz fronteira com Ponta Porã. O clima de medo tomou conta dos moradores e também dos turistas, que ficaram receosos de ir para a região.

O caso chamou a atenção pelas “cenas de filme” do assassinato, seguido de incêndio às lojas do traficante morto. Tudo para tentar dominar esse comércio ilícito, que reflete diretamente na violência, saúde e nos problemas sociais das cidades do lado brasileiro. 

As drogas que resultam nas disputas pelo tráfico nos morros do Rio ou em bairros de São Paulo têm origem certa: Paraguai e Bolívia, com entrada pela frágil fiscalização na fronteira de Mato Grosso do Sul.

A lógica seria atacar o foco principal do problema, mas, como disse anteriormente o secretário de segurança carioca, José Mariano Beltrame, todos acabam “enxugando gelo”, para apreender drogas e armas que não param de chegar.

Por enquanto, porém, parece utópico demais imaginar que as secretarias dos demais estados envolvidos na reunião irão deslocar alguns de seus policiais para reforçar a fiscalização na fronteira, abrindo mão de deixá-los em suas cidades, atendendo aos seus moradores. Sabe-se que o papel principal caberá ao Governo federal, negligente há anos com suas atribuições.

A demora não resulta de falta de cobrança. Há anos os gestores estaduais apelam por mais responsabilidade da União para o policiamento na fronteira e até mesmo com os custos dos traficantes que ocupam nossos presídios porque estavam apenas de passagem por Mato Grosso do Sul.

Esse núcleo que começa a ser formado teria de contar com participação também de outros estados impactados pelas lacunas que o tráfico facilmente encontra em nossas fronteiras. Fica a expectativa para que os avanço sejam concretizados para além dos gabinetes ou salas de reuniões.

O novo “núcleo” precisará sair da fase de planejamento e partir para ação, caso o real objetivo seja mesmo tirar o controle das mãos dos traficantes. 

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