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Mario Amaral Rodrigues: A gramática não perdoa

Mario Amaral Rodrigues é Docente aposentado da UFMS

Redação

18/07/2016 - 02h00
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Entre os políticos em evidência na vida nacional, muitos por fatos nada abonadores, há os que nada devem à galera dos botecos de ponta de rua, da geral do futebol e similares. O ex-presidente Lula é um deles. Se ele é oriundo do mundo dos retirantes flagelados, poderia ter se comportado como tantos outros da mesma origem, igualmente sofridos que evoluíram e verbalizaram de maneira publicável, gramaticalmente aceitável e com elegância. 

Campo Grande teve exemplos destes. Neto Lima, candidato a prefeito da cidade, lá pela década de cinquenta, iletrado, conversava com desenvoltura com os “engravatados” (assim ele se referia aos de maior nível de escolaridade). Um caipira nato que conversava com desenvoltura sobre problemas da comunidade e tudo que falava poderia ser publicado sem cortes e veicular em qualquer ambiente. Nunca proferia “palavrões”, nem em ambiente íntimo. Não falava em solenidade, nem nos comícios, por humildade e acanhamento, se dizendo “de fala feia e trote macio”, querendo com esta palavra dizer: “procedimento elegante”.  

Considerando as expressões que aparecem nas gravações de telefonema entre Lula e a então presidente (palavra que se não se flexiona para ser aplicada ao gênero feminino) tem-se um diálogo de gente da “ralé”. Isto também se tem quando um advogado “aconselha” o atual prefeito do Rio de Janeiro e, pior, o “papo” entre este e Lula, ao se fazer alusão ao sítio em Atibaia (SP) com demérito e deboche à cidade de Macaé (RJ), é também entremeado de “coisas” que exigiram cortes, ao ser publicado. 

Há quem diga que as conversas palacianas, no agonizante governo Dilma, tinham “nuances” do gênero, ao estilo Dercy Gonçalves. Uma “nossa” figura popular que viveu até pouco, Cecília Meirelles, uma artista de mão cheia, fazia graça com palavrões em suas mui brilhantes apresentações ao violão. Personagens de gratas lembranças a todos nós. Se as citadas artistas tivessem chegado ao Congresso, por exemplo, certamente, teriam se pautado por um falar incensurável, tenho certeza. 

De nossos mais altos mandatários (incluídos os ex) e representantes do povo, é imperdoável que tanta baixaria se registre. O fato de se flexionar título de presidente como se insiste é tático (de mau gosto) é imperdoável e passível de, no mínimo, advertência pela Academia Brasileira de Letras e reprovação por todos os professores. O Supremo Tribunal Federal (STF) já registrou “explicação” relativamente ao tratamento, também tático, do impeachment como golpe, dizendo-o componente da Constituição. 

A insistência no tratamento da presidente, com o absurdo de sua flexão, é agressão ao lácio e está induzindo nossas crianças ao erro gramatical. É “zombaria” de um patrimônio da nacionalidade, o idioma.

De  tanto “zombar”, fez “sambar”. O lema “Reaja Brasil” deve incluir veemente reação a essa flexão idiota aplicada como “identidade ideológica”, estúpida insistência de políticos vermelhos, sem dúvida, em descrédito. Nosso cenário político “ainda” tem deles. Incluído um, em especial; o senhor José Eduardo Cardozo, advogado de muita fala e nada de convencimento. Correu a se pronunciar na OAB, para demovê-la de se manifestar pelo impeachment, não conseguiu. Compareceu à Comissão Especial da Câmara, tentando desqualificar o relatório ali elaborado, nada obteve. Impetrou ação tentando anular esse mesmo relatório no STF, perdeu. Fala à moda do “samba de uma nota só”: golpe, golpe, golpe, e, com isso, obteve a explicação acima aludida (autêntica advertência), a qual protege o governado de desmando e abuso de governante absolutista, ou melhor, que se atreve a tanto. O (a) governante que entenda que, da mesma maneira que a Constituição, a gramática não perdoa.

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