Há um mistério que perturba constantemente o ser humano. Trata-se do mistério do futuro. Trata-se de um medo crônico de como será e o que poderá acontecer. Existe um misto de medo e de esperança. Medo por não ver claras as possibilidades de realização. Esperança para quem tem uma consciência lúcida de que tudo quanto esteja realizando no presente lhe garantirá um futuro feliz.
Não resta a menor dúvida de que a felicidade constitui o sonho mais profundo e mais nobre de todo o ser humano. Quem já convive com ela acredita que será cada dia mais real e mais rica. Quem esteja andando em meio a inseguranças, quando não trabalhar e assumir adequadamente, poderá ser arrastado à avareza que, por sua vez, criará uma ansiedade existencial.
A partir dessa ansiedade, o ser humano passará a pensar somente em si. O mundo será apenas seu. Não atenderá a mais ninguém. Organizará os planos e projetos em vista de um futuro somente seu. O orgulho e a vaidade serão seus companheiros permanentes. Somente se ocupará em satisfazer em profundidade a ganância de enriquecer financeiramente.
O Mestre dos mestres encontrou em seu caminho alguém com esse espírito e com essa disposição. Vendo que seus discípulos se impressionaram com o fato, chamou-os junto assim e lhes contou essa parábola: “A terra de um homem rico deu uma grande colheita. Como não tivesse armazéns suficientes para guardá-la, decidiu derrubá-los e construir outros maiores para guardar o trigo e os demais produtos.
Feito isso, disse a si mesmo: “Meu caro, tu tens uma boa reserva para muitos anos. Descansa, come, bebe e aproveita”.
Mas Deus lhe disse: “louco! Ainda esta noite pedirão de volta a tua vida. E para quem ficará o que tu acumulaste?” E o Mestre acrescentou: “Assim acontece com quem ajunta tesouros para si mesmo, mas não é rico diante de Deus” (Lc.12,13-21)
A ganância é uma fome insaciável. Quanto mais tem tanto mais quer ter. Mas é bom ter o cuidado de não ficar apontando para os outros esse atrevimento. Cada qual deve olhar para si e cuidar. Pois em cada um existe um pouco, ou muito, dessa ganância que corrói a alma deixando um vazio muito perigoso e não vendo claro o caminho a seguir.
E o caminho é o proposto pelo Mestre. E consiste em ter cuidado para não se envolver nisso e manter distância dessa ganância, porque, mesmo que alguém tenha muitas riquezas, a felicidade não consistirá na abundância de bens materiais, mas na grandeza da alma em repartir o que tem com quem não tem.
Pessoa feliz será aquela que luta e se esforça em produzir de acordo com sua capacidade para melhor e mais generosamente ajudar os necessitados.
Não é proibido produzir muito. Não é proibido ter muitos bens. Não é proibido ser rico. Proibido será endeusar as riquezas.
Não é proibido aspirar ao poder. Proibido será fazer do poder um modo de dominação e de exploração. Pois o poder deverá ser um exercício nobre e feliz em colocar-se a serviço do bem comum para merecer as bênçãos e a proteção de Deus.