Sempre nas minhas supervisões de estágio em Educação Infantil, a HORA DO SONO, nas creches, me incomodou. As crianças são obrigadas a deitar em colchonetes, fechar os olhos e dormir!!!! Agora com o vídeo divulgado nas redes sociais em que uma recreadora foi filmada obrigando toda uma turma de crianças de 3 anos a dormir, ameaçando e mandando fechar os olhos, é inadmissível aceitar tal fato. Fico imaginando o clima de medo estabelecido na hora do sono (ou do pesadelo) por um cuidador despreparado e autoritário.
Obrigar uma criança pequena a dormir, sob ameaça, quando não quer dormir, pode ser enquadrado como uma forma de violência psicológica, que segundo a Organização Mundial da Saúde, é definida como - qualquer conduta que cause dano emocional e diminuição da autoestima ou que vise degradar ou controlar ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição, insulto, chantagem, ridicularização, exploração e limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que cause prejuízo à saúde psicológica. Esse tipo de violência, por ser mais subjetiva, muitas vezes é difícil de perceber, descrever ou avaliar até por quem é agredido, por não compreender seu próprio sofrimento. Muito mais grave do que a violência física que deixa marcas visíveis.
A rotina da hora do sono precisa ser repensada em cada instituição de educação infantil, uma vez que com a inclusão da educação infantil (creches e pré-escolas) como primeira etapa da educação básica (LDB/1996), a creche deixa de ter a função assistencialista, perpetuada por décadas. Ao obrigar todo o grupo a ficar imóvel, dormindo ou não, perde-se todo um trabalho pedagógico. Não respeitar a individualidade e a necessidade de cada criança, por si só, já caracteriza um equivoco e um atraso grosseiro nessa etapa de ensino. Se algumas crianças resistirem e quiserem ficar acordadas, o professor para contemplar as necessidades individuais, deverá organizar um canto com atividades de maior tranquilidade e descanso, com livros, brinquedos, papéis e lápis de cor.
Não basta passar as creches para o sistema de ensino, em que a Secretaria de Educação passa a ser responsável pelo seu funcionamento, e oferecer um serviço de péssima qualidade e com a mesma função assistencialista de anos atrás. Ao adquirir a função de educar não se pode mais aceitar que profissionais leigos, sem qualquer formação, cuidem de crianças pequenas. É a mesma LDB que especifica no seu artigo 62, que a formação de docentes para atuar na educação básica é a de nível superior, sendo aceito para a educação infantil e as quatro primeiras séries do fundamental formação em curso Normal do ensino médio. Nossas crianças estão à mercê de pessoas despreparadas, enquanto permanecer a mentalidade de que para trabalhar com crianças pequenas, basta saber trocar fraldas e ser apadrinhada por algum político! Basta de amadorismo. Volto à mesma cantilena: quanto menor é a criança, maior tem que ser a formação do profissional que vai atendê-la e esse profissional só pode ser o professor em período integral. Na certa, esse tema voltará a ser utilizado na próxima campanha eleitoral. Fiquemos alertas!