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CORREIO DO ESTADO

Confira o editorial desta sexta-feira: "Vacina só para a elite"

Confira o editorial desta sexta-feira: <br>"Vacina só para a elite"

Redação

05/08/2016 - 03h00
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Os gestores continuarão a “empurrar” o problema e, consequentemente, a conta alta dos gastos no tratamento e do sofrimento causado pela doença.

A  maioria da população não conseguirá usufruir da vacina contra a dengue, em razão do alto custo das doses. Novamente, como ocorre com frequência na área da saúde, o acesso fica restrito àqueles com melhores condições financeiras – à elite privilegiada. Demonstra-se, portanto, que o governo federal continua a falhar em sua missão de investir na prevenção.

Gastam-se bilhões, todos os anos, para tratamento das vítimas da doença, hospitais ficam superlotados, mas a justificativa é não haver dinheiro suficiente para comprar as doses, produzidas pela empresa Sanofi-Aventis Farmacêutica. Mesmo depois de passar por várias epidemias que resultaram em centenas de mortes no País, o poder público não aperfeiçoou seu setor de pesquisa e fica na dependência dos laboratórios particulares. A população fica à mercê das clínicas, que cobram a média de R$ 320 por dose, muito acima da faixa de preços de 

R$ 132,76 e R$ 138,53, anunciada no site da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Pesquisadores de dez instituições brasileiras e internacionais calcularam quanto a dengue pode custar para os sistemas de saúde público e privado, com base em dados de 2.035 pacientes com a doença em 2013. O estudo apresentado pela revista Plos Neglected Tropical Diseases chegou ao montante de R$ 2,7 bilhões no País. Há outros estudos de universidades que apontam cifras ainda maiores, a exemplo da Universidade Federal de Goiás (UFG), que chegou a R$ 4,7 bilhões.

Os valores, sem dúvida, devem ser mais altos. Somente neste ano, Mato Grosso do Sul teve 57,9 mil casos notificados de dengue, desde o começo do ano, e 16 mortes confirmadas. Em 2015, foram 46 mil. Trata-se de suspeitas da doença, com base nos sintomas dos pacientes. Nem todos chegam a fazer os exames de confirmação, o que ocorre, geralmente, quando há internações. Portanto, ainda é imprecisa a quantidade de pessoas infectadas. Não há dúvidas, porém, que o quadro é bem mais alarmante do que os estudos elaborados já apontaram. 

A falta de previsibilidade e planejamento estratégico é um male que, há anos, está arraigado na administração pública. Repetem-se em relação à dengue. Além da falta de acesso às vacinas, o descaso na prevenção é marcado pela baixa quantidade de ações para evitar acúmulo de água parada, propícia para proliferação do mosquito Aedes aegipty. Mutirões de limpeza, que deveriam ser prática constante, começam somente quando os casos já aumentaram, na época do verão e das chuvas. Inconcebível acreditar que será possível eliminar o mosquito, pois já estamos perdendo essa batalha há anos – situação agravada porque, agora, o Aedes transmite também zika e chikungunya. 

A solução mais eficaz estaria na vacina, infelizmente, acessível para poucos. Os gestores continuarão a “empurrar” o problema e, consequentemente, essa conta alta dos gastos no tratamento e do sofrimento causado pela doença. Desperdiçam a chance de praticamente eliminar a dengue, mesmo que levasse um tempo para a campanha de imunização atingir a todos.  
 

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