No que se refere à reestruturação do terminal Heitor Eduardo Laburu, sobram ideias e projetos. Contudo, o que é mais urgente neste momento é a ação dos envolvidos.
Já se passaram seis anos que a rodoviária de Campo Grande foi transferida do terminal Heitor Eduardo Laburu, localizado no Bairro Amambaí, para o terminal Humerto Mendes Canale, situado no Bairro Universitário.
Neste período, a Capital do Estado ganhou mais 66,8 mil pessoas, chegando aos 853 mil habitantes; teve incorporadas novas avenidas; expandiu suas fronteiras, porém, nada aconteceu com a antiga rodoviária, além de promessas.
O terminal Heitor Eduardo Laburu, inaugurado em 1976, conta 175 lojas e duas salas de cinema. Na época em que foi aberto aos campo-grandenses, tinha status semelhante ao de um shopping center dos dias de hoje, com variedades de lojas serviços e opções lazer.
Terminal misto, com parte pertencente ao poder público, e outra de propriedade do setor privado, a antiga rodoviária de Campo Grande parece estar condenada ao esquecimento.
Os responsáveis por este abandono são as autoridades municipais, mas também alguns setores da sociedade civil. As pequenas reformas executadas pela prefeitura em julho de 2010, seis meses depois da inauguração da nova rodoviária, não foram suficientes para manter a atratividade do antigo terminal.
Nos últimos seis anos, foram várias as tentativas de reaproveitar, ou de levar de volta as as pessoas ao edifício.
O Tribunal de Justiça chegou a cogitar a transferência de uma central de juizados ao local, uma universidade do interior do Paraná demonstrou em interesse em se instalar por lá, e prefeitura e governo também estudaram levar para o prédio algumas de suas secretarias ou autarquias. Nada disso, porém, seguiu adiante.
O projeto mais recente, e também o mais distante da realidade, foi apresentado pela prefeitura de Campo Grande em 2014: a incorporação do local ao “Reviva Centro”, iniciativa que contará com investimento de centenas de milhões do Banco Interamericano de Desenvolvimento, e que ainda precisa de autorização dos poderes legislativos municipal e federal para ser levado adiante.
Apesar de uma bela maquete computadorizada, que mostra um centro empresarial, shopping center e hotel no local, a concretização desta proposta está muito longe de ser efetivada.
Enquanto nada acontece, quem reclama são os poucos comerciantes que restam. Dos 175, somente 25% deles permanecem com as lojas abertas, e com pouquíssimo movimento, conforme demonstra reportagem do Correio do Estado publicada ontem.
A falta de consenso entre os dois sócios da antiga rodoviária - donos de salas e poder público - sem dúvida, atrapalha uma solução para o local. O que não pode mais ocorrer, contudo, é que esta espera de seis anos se prolongue ainda mais.
No que se refere à reestruturação do terminal Heitor Eduardo Laburu, sobram ideias e projetos. Contudo, o que é mais urgente neste momento é ação, seja ela dos proprietários das lojas, ou da prefeitura. O que não se pode é ficar parado.