É recorrente ouvir a afirmação de que é injusto atribuir apenas aos políticos petistas a pecha de corrupção.
Querer macular apenas os políticos do PT como corruptos realmente não é correto.
Qualquer análise ou reflexão que se faça sobre a corrupção no nosso País não pode restringir-se apenas a esta ou àquela agremiação partidária. Ainda que alguns discordem, o mal da corrupção é endêmico em todos os níveis de governo. É uma prática que se arrasta há muito tempo, porém não com a intensidade que vem ocorrendo nos últimos anos. As licitações e as empresas públicas que o digam.
O problema despencou em desfavor dos políticos petistas em face da conjugação de vários fatores e das consequências daí decorrentes.
Quem não se recorda, sobretudo os eleitores com mais idade, associados aos historiadores e pesquisadores, que o PT nasceu com o discurso da proposta da moralização dos serviços públicos, com o fim da festa com recursos públicos, da bandeira da ética, entre outras, que tinha como pano de fundo o “nós e eles”.
Nesse contexto se julgava, em face da sua própria origem e do seu propósito, o único partido político capaz de botar ordem na gestão pública e expurgar os corruptos, ou seja, “eles”.
O governo do povo pelo povo. Aliás, era o sonho de muitos, a exemplo de Hélio Bicudo, mas que abandonaram o partido em face dos desvios de rumo. Ou seja, pularam do barco antes que ele se afundasse.
Esse era o PT da militância a pé e de muitos intelectuais. Enfim, daqueles sonhadores que depositavam esperança nas propostas apresentadas.
Ao lado dos militantes, boa parte dos eleitores, embora não petistas, viam com bons olhos o surgimento de uma nova agremiação político-partidária com propostas que vinham ao encontro dos anseios da sociedade. Tanto é verdade que muitos candidatos petistas foram eleitos com votos de não petistas, inclusive das elites de diversos partidos.
No entanto, as expectativas de dias melhores para a sociedade brasileira se frustraram tão logo esse novo núcleo político assumiu o poder. Ao contrário, a corrupção, que era a varejo, passou-se a ser por atacado.
O PT literalmente entrou no “vale tudo” para se manter no poder, repetindo, de forma mais agressiva, as velhas práticas sórdidas de outros partidos. O novo, rapidamente, foi substituído pelo velho, porém com unhas e dentes mais afiados.
Esse quadro veio à tona com a descoberta do Mensalão. A compra de apoio político para a manutenção no poder ficou sobejamente comprovada, tanto é que muitos políticos do PT e de outros partidos políticos que o apoiavam, juntamente com alguns empresários, foram condenados.
Ao lado do Mensalão várias outras práticas criminosas com o mesmo propósito foram evidenciadas, mas a que mais tem revelado esse desmonte do PT foi e está sendo a Operação Lava Jato.
Não por acaso, as várias e incansáveis tentativas, muitas vezes dissimuladas, de desgastes e até mesmo de extinção desse grupo de investigadores (PF, MPF, Receita e AGU) e inclusive de ataques contra a pessoa do juiz Sérgio Moro, até mesmo de representação contra ele e contra os procuradores do MPF, por abuso de autoridade, ao Comitê de Direitos Humanos da ONU, pelos defensores do ex-presidente Lula.
De fato, muitos eleitores sedentos de um País mais justo confiaram nas propostas de moralização defendidas pelo PT, principalmente por descrédito em relação a muitas das agremiações partidárias existentes. Mas a história se repetiu!
O pior disso tudo foi que o descrédito em relação aos políticos recrudesceu, a ponto de se apelar para a generalização de que toda a classe política é corrupta. E isso é péssimo para a Democracia, pedagogicamente falando.
É inegável a pluralidade na classe política. Assim como há aqueles que não honram o respectivo mandato, existem inúmeros políticos sérios e bem intencionados em qualquer das agremiações políticas.
Enfim, foram as contradições que contribuíram para o autoflagelo do PT. A mesmice. Daí a decepção.