A barbárie grupal continua. Nada mudou em termos de crueldade no âmago da sociedade, dita civilizada, sob o manto do fanatismo e simbolismo de uma bandeira, apesar de todo o empenho do poder dos Estados em favor dos direitos humanos, dos vários graus de repressão, com ou sem pena capital.
As ações não se desenvolvem por hordas de bárbaros, mas por pequenos grupos e até indivíduos que se imolam desde que eliminem alguns dos considerados infiéis às suas crenças ou posições políticas.
A bandeira de hoje tem a cor preta com forte apelo à união dos adeptos ao islã, ainda que não tenha respaldo na maioria dos muçulmanos que repudia o extremismo implícito nas ações terroristas, não só contra pessoas, indistintamente presentes nas rotinas diárias de qualquer cidade, bem como destruindo sítios históricos que marcaram o caminhar da humanidade na tentativa de entender os mistérios da vida e da morte. Matéria, espírito, eternidade, divindade.
E daí porque matar, explodir quem nem perguntado foi se concorda, discorda, ou é indiferente? Quem chega ou parte? Quem anda ou corre? Quem passeia ou dorme? Quem trabalha ou descansa? Quem vive a sua vida na paz? Por quê?
Acontece no mundo. Estamos vendo. Bandeira preta no topo do mastro onde território é conquistado. Luto onde explode gente e a degola mata. Março de 2016, Bruxelas: 20 pessoas perderam a vida na explosão em estação do metro e 11 nas explosões do aeroporto; 250 feridos. Junho, Istambul, aeroporto: 41 mortos e 239 feridos por explosão e tiros de fuzil. Julho, França: Nice: 70 mortos e uma centena de feridos atropelados por um caminhão assassino; Normandia: padre de 86 anos é degolado durante a missa.
A perplexidade e o inconformismo assustam o mundo face à desumanidade deixada pelo sangue de mulheres, homens, crianças, idosos, que marca no asfalto, nos escombros, na alma dos mutilados e das Nações enlutadas.
No interregno da Guerra Fria, sob a obscuridade da bandeira vermelha comunista, as ações terroristas típicas — guerrilha, assassinato seletivo e indiscriminado, sequestros de aviões, raptos, assaltos a bancos e empresas, explosão de bombas — se espalharam pelo mundo.
Em rápida pincelada algumas organizações e fatos. Alemanha Ocidental, fração do Exército Vermelho/RAF (Grupo Baader-Meinhof). Em 1978, Itália, integrantes das Brigadas Vermelhas sequestraram Aldo Moro, e mataram cinco guarda-costas; depois de 55 dias no cativeiro foi morto. Montonero e Exército Revolucionário do Povo (Argentina), Tupamaros (Uruguai), Sendero Luminoso (Peru), FARC, nos estertores (?) (Colômbia), e Brasil, Aliança Libertadora Nacional/Ala Marighela, Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), Vanguarda Armada Revolucionária Palmares, Comando de Libertação Nacional (COLINA), Política Operária (POLOP), MR-8, etc.
Na Alemanha e na Itália vários desses criminosos foram condenados à prisão perpétua, como Cesare Battisti, da organização “Proletari Armati per il Comunismo” (PAC).
De forma semelhante e bem recente no Japão, em 2006, Fusako Shigenobu, de 60 anos, fundadora do Exército Vermelho, foi condenada a 20 anos de prisão por ter conduzido a ação terrorista na embaixada da França em Haia, 1974.
No Brasil a destacar, o atentado em 1966. O candidato à presidência da República, Marechal Costa e Silva, era esperado por cerca de 300 pessoas no Aeroporto dos Guararapes, Recife/PE. Felizmente, como a programação foi alterada, muitos já haviam se retirado. A explosão matou dois e feriu quatorze, dentre os quais uma criança de 6 anos. O carro-bomba que explodiu em 1968 na entrada do QG do II Exército que matou o soldado Mario Kozel Filho e feriu seis outros militares.
Guerrilhas do Araguaia, de Caparaó e do Vale do Ribeira, sequestro de diplomatas e de avião e o assassinato estúpido, para sintetizar outros tantos inocentes mortos, do marinheiro inglês, David A. Cuthberg, de 19 anos, que desembarcara na Praça Mauá (Rio de Janeiro) e foi metralhado por membros da ALN, VAR-P e PCRB.
O mundo quer paz! O Brasil quer paz! Um basta a grupos e ONG segregacionistas, radicais, intolerantes.